sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O velho recuperado que ficou praticamente novo

Tirando a poeira deste blog de novo... Esse ano tá osso pra manter a atividade... Mas o Macagnan não se entrega.
Mas voltando ao título, desta vez o Macagnan trouxe à tona uma... solução técnica caseira? gambiarra? restauração caseira? técnica faça-você-mesmo? Seja o que for, felizmente deu certo! Mas chega de enrolar e vamos à história.
Desta vez chegou até as mãos do Macagnan um livro, fruto de doação de uma prima (obrigado, Taís!) que possuía alguns livros e não os utilizaria mais, sendo assim organizou uma pequena "campanha de doação em família". O Macagnan se interessou por este e pediu; pouco tempo depois chegou:


Para quem quiser saber mais sobre a trama do livro, aqui tem uma resenha interessante. Pela resenha o Macagnan julgou ser "dos bons" porém estava precisando de um "carinho". Assim chegou ele às mãos deste que vos escreve:


Lombada solta, contracapa destacada. Mas tem jeito...


As páginas estavam se separando em blocos mas...


... pelo menos a cola original resistiu bravamente ao tempo e ao uso. Vai ficar bonzinho logo, logo.


Vamos aos materiais necessários para a recuperação:
01 pacote de gaze,
01 folha de papel de desenho, papel Canson ou retalhos de cartolina que tenham a altura do livro,
01 pincel para aplicar a cola,
01 tubo de cola PVA (pode ser o menor que você encontrar, o Macagnan só tinha este da foto).


Ferramentas de apoio:

02 pedaços de madeira da altura ou um pouco maiores que o livro,
02 grampos (grampo C, sargento ou outro nome). Na falta destes, um peso ou outro utensílio bem pesado  que seja capaz de "prensar" a lombada do livro. Neste caso o Macagnan usou os grampos que tinha em casa.


O primeiro passo é alinhar muito bem a lombada e o topo das páginas com a maior precisão possível. Isso se faz segurando gentilmente o livro com as duas mãos e batendo sobre a mesa a lombada e o topo das páginas até que fiquem bem alinhadas, sem "dentes" ou "valetas". Logo após o alinhamento das páginas entram as madeiras para proteger as páginas durante o processo de colagem e, no caso do uso do grampo, para evitar que este rasgue as folhas. Não precisa nem dizer que se for necessário realinhar as páginas depois de colocadas as madeiras, não sinta preguiça de fazê-lo. É importante que haja esse alinhamento rigoroso para que fique um serviço de primeira, afinal se você está fazendo isso com um livro é porque ele vale a pena! Depois de prensar as páginas entre as madeiras vamos começar o processo de colagem:


Vamos aplicar a cola em toda a lombada de forma uniforme e sem economizar. Não importa se a cola ficar nas madeiras, elas estão aí para isso. Espere secar bem de dê outra e outra demão de cola. O Macagnan deu três demãos de cola neste livro e como tinha que acelerar o processo de secagem, usou um secador de cabelos da Dona Patroa, afinal de contas as fotos tinham que ficar prontas logo para virem para o blog.


Seca a cola, vamos instalar a gaze, que é o que vai garantir a união das páginas. Neste caso, o Macagnan usou uma gaze, que foi o suficiente. Abre-se o "quadradinho" da gaze pelo comprimento para que fique do tamanho da lombada ou maior e posiciona-se sobre a lombada. A partir daí vamos pincelando a gaze com mais cola (generosamente) para que fique toda coberta e exatamente sobre as páginas que colamos no passo anterior. Dobra-se a sobra da gaze sobre a primeira parte, já coberta de cola, alinhando-se novamente com as páginas e pincelamos com cola esta gaze que foi dobrada sobre a primeira. Se a sobra der para mais uma dobra, repita o processo. Daí é só esperar a cola secar (e o Macagnan passou o secador de novo...).

Depois de bem seca a cola, hora de afrouxar os grampos (ou retirar os pesos de cima do livro) e separar cuidadosamente as madeiras das páginas do livro. Provavelmente a madeira deve ter colado junto com as primeiras páginas e é arriscado tentar "arrancar" as madeiras. É preferível usar um estilete ou uma lâmina de barbear ou uma faca de lâmina fina e bem afiada para fazer esta separação. Após, com uma tesoura, se cortam os excessos no topo e no pé da lombada. Metade do processo está pronta. Agora vamos cuidar da capa.


Lá vai outra camada de cola no pano da lombada que vai colado às capas. É esta camada de cola que unirá a gaze ao pano, fixando as páginas nas capas (bom, é mais ou menos assim, depois o Macagnan vai explicar melhor). O passo seguinte é centralizar o mais precisamente possível a lombada onde aplicamos as gazes sobre esta camada de cola e depois "prensarmos" o conjunto todo para que aconteça a união entre as partes:


Aí não teve jeito mesmo. O Macagnan teve que segurar prensado por alguns minutos até que a cola secasse e a colagem ficasse pronta:


A ideia é que fique assim: o pano preso às gazes e a parte da capa que fica sobre a lombada fique livre para permitir a abertura e o fechamento do livro. Está pronto então?

Não, ainda não... Se deixarmos assim, logo teremos a capa descolada de novo devido ao manuseio do livro. E como evitar isso?


Aqui é que entra o papel duro. Ele vai servir como uma espécie de "amarração" entre a capa e a primeira página, impedindo que o livro se desfaça novamente. Devem ser cortados dois pedaços idênticos, da mesma altura das páginas do livro. A largura das tiras vai depender do que se tem impresso na página do livro. O Macagnan usou neste livro duas tiras com oito centímetros dobrados ao meio, o que deu quatro centímetros para cada lado. Importante verificar se a largura do papel não vai sobrepor algo impresso. Feitas as tiras, vamos colá-las:


Fica mais fácil se colarmos primeiro a parte da tira na página, com a dobra do papel o mais rente possível da dobra entre a página e a capa.



Depois repetimos o processo com o outro lado da tira, também cuidando para colar o papel com a dobra o mais rente possível da dobra entre a capa e a página, com o livro aberto, para que haja uma certa "folga" na hora em que o livro for aberto evitando algum rasgo acidental. Repetimos este processo com a outra capa.


Agora sim, terminamos. E temos aí mais um livro recuperado que, se bem cuidado, tem mais uma vida toda pela frente.

Bom, pessoal; por hoje é só. Até a próxima!
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