terça-feira, 26 de abril de 2016

A anatomia de uma tragédia - Ato único

(Entra em cena o Macagnan com a iluminação acendendo gradualmente, aparentando estar distraído, varrendo e assobiando).

Ôpa! Depois de outra sumida, o Macagnan reaparece aqui. Obrigado aos fiéis leitores deste blog por ainda passarem por aqui quando tem algo novo. Tá um pouco demorado para abastecer esse blog mas vamos conforme dá. Desta vez sim, foi uma tragédia e o Macagnan explica: a tragédia foi no final, portanto continuem assistindo a esse programa ops, lendo esta postagem. Pra variar um pouco,é sobre o Atari sequelado. Lembram-se que eu havia dito em uma postagem que ele estava com problemas no soquete do cartucho e que estava sem opção? Mercado Livre, Aliexpress, Deal Extreme e nada... Inspirado pelo espírito DIY do Tabajara Labs (se não tem, o Tabajara faz...) o Macagnan foi à procura de algo que pudesse ser usado no lugar deste soquete. O Macagnan chegou até a cogitar a possibilidade (verificada com o Dablio e perfeitamente possível segundo ele) de se instalar um multicart no lugar do conector. Mas a vontade mesmo era de ter um Atari como o original, colocando e retirando cartuchos.

Um belo dia, do nada, olhando para uma placa-mãe o Macagnan teve um "flash". Foi atrás de uma placa mãe sucata que tinha barramento ISA (conector de expansão preto):

Pros curiosos: é uma Biostar M7VKQ por algum motivo mortinha da silva... Hora da cirurgia, doutor Macagnan...


Com paciência e cuidado, separa-se a parte menor do barramento ISA, que é a que vai dar mais certo no nosso caso. Um close no corte:


Depois de muito tempo, paciência e cuidado para não destroçar o precioso pedaço do soquete ou derretê-lo (o ferro de soldar já estava com a ponta péssima, e era um de 40 watts), eis que nasce a criança:


Bom, dado o início na obra agora era conferir se os contatos do soquete iriam bater com os da placa do cartucho (verificar se os dois tinham o mesmo passo - se não me engano passo 2,24 mm).


Pros curiosos, novamente, a placa é de uma Fantastic Voyage (jogo que não entendi direito até hoje) que usei de "cobaia" para todos os testes. Encaixou bem, com pressão e pareceu ter sido feito sob medida. Vamos conferir:

 
É, deu bem certo. O Macagnan aproveitou e retirou os pinos excedentes do soquete caseiro (três de cada lado) para que fosse possível o encaixe na placa mãe do Atari sem problemas. Feito isso, a questão seguinte era: como encaixar a placa do cartucho EXATAMENTE na mesma posição, sempre? Aí o jeito foi criar batentes ou limitadores. A inspiração veio da questão da trava física de cartuchos do Super Nintendo (duas travinhas plásticas dentro do gabinete impediam que as fitas japonesas, de 72 pinos do Famicom fossem usadas no console americano, cujo conector tinha 60 pinos). No desespero, o Macagnan revirou sua sucata e achou quem?


Sim, ele! O velho e multiuso JUMPER! Depois de vários ajustes, o Macagnan descobriu que o melhor ajuste do jumper era sem o miolo metálico e com a capa plástica amassada com cuidado até dar a altura certa para que não ocorresse mau contato do cartucho por excesso de afastamento do contato metálico causado pelo jumper. 


Para se conseguir a posição exata de colagem dos limitadores com cola Super Bonder, o Macagnan refez o alinhamento da placa do cartucho com os contatos cuidadosamente, encostou os limitadores, deixando uma folga milimétrica para facilitar o "jogo" lateral na hora de encaixar o cartucho e prendeu os limitadores com dois pingos da cola na parte oposta à placa (para não colar a placa). Seca a cola, saiu a placa e mais algumas gotas de cola para reforçar (Vai ficar indestrutível, hahahahaha...) Depois uma acertada na altura para ficar no mesmo nível do plástico preto. Agora, partir para a fase de ajustes. Muita paciência nesta hora para não perder tudo que já foi feito até aqui.


Com uma serra para metais, uma faca afiada, lima e alguma outra ferramenta que o Macagnan não lembra mais que usou, hora de moldar o novo conector ao formato do velho. Outro "close" do novo:


Tá bastante parecido com o original. Esses rebaixos laterais são para assentarem em duas "torres" dentro do quia dos cartuchos para que o conector fique preso e alinhado a ele. E, falando em parafuso, temos os furos para fazer!


Esse guia , além de ser fixado na placa mãe do Atari por duas travas plásticas, é fixo por dois parafusos ao slot que vai soldado na placa mãe. A dica dos parafusos foi do Alexandre do Tabajara Labs. E não para por aí. Tem mais um ajuste no plástico:


O soquete caseiro tem que ter uma certa folga para que encaixe dentro do rebaixo dessa peça plástica grande, desajeitada e aparentemente sem utilidade. Não pode ficar justo porque senão o mecanismo não funciona. Essa peça vai dentro do guia do cartucho e antes do soquete e age como um obturador, protegendo a "boca" do soquete contra poeira e queda de pequenos objetos que possam causar um curto-circuito entre os contatos. Dois pedaços de espuma, colados na parte de trás da peça fazem a função de molas.

Mas... agora vem a parte da tragédia...


Não, o Atari não explodiu. Simplesmente não deu certo. Por quê? Pelos seguintes motivos:
  1. Os pinos do soquete ISA são mais curtos que os do soquete original do Atari.
  2. Por causa disso, se o soquete é montado no guia do cartucho, os pinos não atravessam a placa mãe do Atari, sendo assim impossível soldá-los.
  3. Por outro lado, se o soquete é soldado na placa-mãe do Atari, fica afastado demais em relação ao guia do cartucho, ficando difícil alinhar os dois com precisão.
  4. Com o soquete soldado na placa mãe do Atari, perde-se o contato do cartucho com o soquete porque o soquete caseiro fica mais baixo do que o original.
  5. Se tentamos encaixar o cartucho direto no soquete (sistema parecido ao Gemini, ao Super Game da CCE) a maioria dos cartuchos não permite um contato correto novamente por causa da altura do soquete caseiro.
Porém o Macagnan não desistiu. Pegou a placa da Fantastic Voyage e espetou-a no soquete caseiro para ver se pelo menos funcionaria. E funcionou! Umas cinco ou seis vezes depois parou de funcionar, apresentando sintomas de que havia problemas no barramento do soquete. Depois de pesquisar muito na internet e; munido de paciência, um multitester e água gelada (era uma tarde quente), o Macagnan descobriu mais algumas trilhas sem continuidade, aparentemente íntegras sob o verniz. E tome-lhe solda e fios de "ponte".

E como desgraça pouca é bobagem, tempos depois de conseguir no Mercado Livre três soquetes (dois do Atari e um do Super Game, pelo modelo), o Macagnan foi tentar dessoldar o soquete caseiro para substituí-lo pelo comprado e, como o ferro de solda estava péssimo, durante a dessoldagem o calor soltou praticamente todas as ilhas de soldagem do soquete. Desnecessário dizer que depois disso o ferro de soldar nunca mais viu a luz do dia (foi descartado). Agora o jeito é pegar o esquema compatível com o 2600S no AtariAge e ir refazendo as ligações uma a uma.

Mas como nem tudo são espinhos, neste intervalo, o Macagnan continuou a "namorar" um Atari ("Darth Vader") no Mercado Livre e eis que um belo dia surge uma oferta irrecusável de um Atari 2600 por um preço justo. Foi atração à primeira vista e não deu outra: O Atari veio para a casa do Macagnan


Imagem: Memória Bit
Não é exatamente esse mas é o mesmo modelo. Com cabo de vídeo e um conector tipo RCA com o pino central mais grosso na saída de vídeo e o cabo de energia um pouco duro mas sem quebras ou falha na isolação. Ao virar de cabeça para baixo, a surpresa: os lacres da Polyvox intactos! O Macagnan quase teve um orgasmo! Correu para o celular e em uma conversa rápida via aplicativo de mensagens com o Alexandre do Tabajara Labs, este informou que era uma saída de vídeo já compatível com a entrada de de 75 ohms ("entrada de parabólica") e não havia necessidade de "baluns" para converter 300 ohms para 75 ohms. Aproveitando uma ida a Porto Alegre, o Macagnan foi procurar um adaptador na famosa rua Alberto Bins e encontrou um conector para substituir pelo original e que encaixava na TV (conector F 4 mm soldável). Feita a troca e dê-lhe jogar! Mas com controles feitos em casa também:


Bom, pessoal; por hoje é só! Até a próxima!

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