terça-feira, 8 de novembro de 2016

Nostalgite ou mal de infância não curado?

Hehehe... Tá demorado pra sair postagens nesse blog... Assunto teria mas tempo que é bom...

Bom, chega de choramingar senão lá se vai mais tempo, hehehe... Bora colocar as novidades em dia.

O Atari "sequelado" vai indo, na medida do possível. Depois da tragédia da dessoldagem de um soquete "made in casa" ficaram duas questões técnicas: como refazer as ligações do soquete do cartucho e como fixá-lo de forma a prevenir novas trincas ou quebras da placa mãe do Atari? Placas mãe de Atari virgens não se encontram com facilidade por aí para realizar um transplante de peças, nem as máscaras para fazer em casa (pelo menos o Macagnan não encontrou nada na internet). E descartar esse equipamento nem pensar! Um belo dia o Macagnan, inspirado pela postagem do Victor Trucco sobre o emulador de cartuchos para Odyssey, teve uma ideia ao ver a foto da Etapa 10: por que não soldar o soquete do Atari em um recorte de placa de circuito impresso universal por baixo da placa original do Atari e soldar os fios de "ponte" nas trilhas adjacentes aos pinos do soquete? Isso deixaria o soquete firme e reforçaria a placa na região em que sofreu quebra. Decidido isto, foi só cortar um pedaço de placa suficiente para realizar a operação, parafusar o guia do cartucho no soquete, posicionar o soquete na placa mãe e, com paciência, colocar o recorte de placa universal nos pinos por trás da placa mãe do Atari e soldar todos os 24 pinos do soquete. Mas o conjunto todo ainda ficou bambo, "dançando" de lado. Não teve jeito; o Macagnan apelou para o "Durepóxi" para fixar aquilo tudo e dar firmeza. A parte fácil acabou aí (e o Macagnan esqueceu de tirar algumas fotos). Agora começava a parte que mais paciência iria exigir: seguir as trilhas dos 24 pinos e fazer "pontes" com pedaços de fio. Moleza! É só seguir as trilhas a partir dos pinos e fazer as pontes no primeiro ponto de conexão disponível. Tá, mas com o recorte soldado sobre a placa mãe, como saber qual trilha começa onde?

Eita p0&&@, agora ferrou tudo!
O jeito foi apelar para o site AtariAge, onde se encontra farto material sobre o Atari 2600. Lá o Macagnan conseguiu o esquema do Atari 2600A que era o mais parecido com o 2600S fabricado com algumas supressões pela Polyvox. A partir deste esquema o jeito foi rastrear e reconstituir cada uma das 24 vias. No fim a brincadeira acabou ficando assim:

Assim ficou depois de algumas horas. Aquele par trançado embaixo à esquerda alimenta um led indicador de ligado.

Close da "cirurgia de reconstituição e fortalecimento das fraturas" rsrsrs...

Depois, hora de partir para os testes. Depois de um curto-circuito resolvido, voltou à vida. Apenas um cartucho apresentou comportamento estranho: um cartucho do jogo "Freeway" apresentou comportamento errático: ao começar a jogar, o controle do jogador 01 não respondia e o jogo travava depois de alguns segundos. Já o controle do jogador 02 funcionava bem mas travava depois de alguns segundos. Foi descartada a possibilidade de problemas com os controles, já que os dois funcionaram em outros cartuchos. O Arnaldo do canal Mundo 4K sugeriu algum problema oculto em alguma trilha aparentemente inteira mas o Macagnan não conseguiu localizar. Vai ficar para uma outra hora essa investigação, provavelmente com outro cartucho para afastar a possibilidade de problema neste.

Mas a paixão pelo velho falou mais alto uma certa vez que o Macagnan, sentindo-se incomodado, resolveu visitar um brechó numa cidade vizinha. Conversou um tempo com o proprietário e eis que do fundo da loja aparece um Dynavision esquecido por lá:

E lá vamos nós de novo!

O Macagnan interessou-se e quis saber mais sobre aquele simpático velhinho, quer dizer, videogame aparentemente em bom estado. O dono do estabelecimento comentou que não possuía os demais acessórios, somente o console e não sabia se funcionava ou não. Fechado o negócio por um valor simbólico já que não havia a certeza de funcionamento, lá foi o Macagnan contente com o seu novo brinquedo velho para casa. E em casa, como testar? Bom, via de regra esses videogames mais antigos funcionam com uma fonte de 9 volts e dentro deles um regulador de tensão da família 7805 que reduz estes 9 volts a 5 volts estabilizados. A fonte de 9 volts que o Macagnan tinha não pôde ser usada porque o conector não servia. Putz, isso foi um balde de água. Mas o Macagnan não desistiu. Precisava de 9 volts? Pra que fonte se se tem isso:

9 volts ao seu dispor, senhor!

Sim, baterias de 9 volts, as mesmas utilizadas no projeto do Jogo da Velha! Procurando na sucata, o Macagnan achou um cabo de energia com um plugue que serviu no Dynavision. Foi só acertar a polaridade e o led do videogame acendeu. Sucesso! O Macagnan correu para pegar um cabo de áudio e vídeo de um DVD Player velho e ligou numa TV. De novo ligou a bateria no cabo de energia, ligou a TV (óbvio) e o videogame. Uma tela preta apareceu no lugar da tela azul da TV. Decepcionante? Não, pois estava sem o cartucho para mostrar alguma imagem mas pelo menos estava mandando sinal de vídeo. Bom, agora o jeito é procurar uma fonte de 9 volts por pelo menos 380 miliamperes que é a especificação da fonte original. Depois de pesquisar na internet e lojas físicas, o jeito que o Macagnan encontrou foi o de adquirir uma fonte dessas de roteadores que fornecem 9 volts e 01 ampere e trocar o cabo já que o plug não era compatível. No fim ficou assim:

O Macagnan só trocou o cabo da fonte...

E o controle? É, aí é que tá... Foi aí que o Macagnan descobriu porque tem tanto desse videogame sendo vendido a preços baixos por aí: é que, além do controle original dele são poucos os controles compatíveis. Depois de muito procurar e pechinchar, o Macagnan conseguiu este pelo Mercado Livre a um preço bom:


Habemus controle!

Está aí, em bom estado de conservação. Agora só falta um cartucho para testar e começar a jogatina.

Bom, pessoal; por hoje é só! Até a próxima!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O velho recuperado que ficou praticamente novo

Tirando a poeira deste blog de novo... Esse ano tá osso pra manter a atividade... Mas o Macagnan não se entrega.
Mas voltando ao título, desta vez o Macagnan trouxe à tona uma... solução técnica caseira? gambiarra? restauração caseira? técnica faça-você-mesmo? Seja o que for, felizmente deu certo! Mas chega de enrolar e vamos à história.
Desta vez chegou até as mãos do Macagnan um livro, fruto de doação de uma prima (obrigado, Taís!) que possuía alguns livros e não os utilizaria mais, sendo assim organizou uma pequena "campanha de doação em família". O Macagnan se interessou por este e pediu; pouco tempo depois chegou:


Para quem quiser saber mais sobre a trama do livro, aqui tem uma resenha interessante. Pela resenha o Macagnan julgou ser "dos bons" porém estava precisando de um "carinho". Assim chegou ele às mãos deste que vos escreve:


Lombada solta, contracapa destacada. Mas tem jeito...


As páginas estavam se separando em blocos mas...


... pelo menos a cola original resistiu bravamente ao tempo e ao uso. Vai ficar bonzinho logo, logo.


Vamos aos materiais necessários para a recuperação:
01 pacote de gaze,
01 folha de papel de desenho, papel Canson ou retalhos de cartolina que tenham a altura do livro,
01 pincel para aplicar a cola,
01 tubo de cola PVA (pode ser o menor que você encontrar, o Macagnan só tinha este da foto).


Ferramentas de apoio:

02 pedaços de madeira da altura ou um pouco maiores que o livro,
02 grampos (grampo C, sargento ou outro nome). Na falta destes, um peso ou outro utensílio bem pesado  que seja capaz de "prensar" a lombada do livro. Neste caso o Macagnan usou os grampos que tinha em casa.


O primeiro passo é alinhar muito bem a lombada e o topo das páginas com a maior precisão possível. Isso se faz segurando gentilmente o livro com as duas mãos e batendo sobre a mesa a lombada e o topo das páginas até que fiquem bem alinhadas, sem "dentes" ou "valetas". Logo após o alinhamento das páginas entram as madeiras para proteger as páginas durante o processo de colagem e, no caso do uso do grampo, para evitar que este rasgue as folhas. Não precisa nem dizer que se for necessário realinhar as páginas depois de colocadas as madeiras, não sinta preguiça de fazê-lo. É importante que haja esse alinhamento rigoroso para que fique um serviço de primeira, afinal se você está fazendo isso com um livro é porque ele vale a pena! Depois de prensar as páginas entre as madeiras vamos começar o processo de colagem:


Vamos aplicar a cola em toda a lombada de forma uniforme e sem economizar. Não importa se a cola ficar nas madeiras, elas estão aí para isso. Espere secar bem de dê outra e outra demão de cola. O Macagnan deu três demãos de cola neste livro e como tinha que acelerar o processo de secagem, usou um secador de cabelos da Dona Patroa, afinal de contas as fotos tinham que ficar prontas logo para virem para o blog.


Seca a cola, vamos instalar a gaze, que é o que vai garantir a união das páginas. Neste caso, o Macagnan usou uma gaze, que foi o suficiente. Abre-se o "quadradinho" da gaze pelo comprimento para que fique do tamanho da lombada ou maior e posiciona-se sobre a lombada. A partir daí vamos pincelando a gaze com mais cola (generosamente) para que fique toda coberta e exatamente sobre as páginas que colamos no passo anterior. Dobra-se a sobra da gaze sobre a primeira parte, já coberta de cola, alinhando-se novamente com as páginas e pincelamos com cola esta gaze que foi dobrada sobre a primeira. Se a sobra der para mais uma dobra, repita o processo. Daí é só esperar a cola secar (e o Macagnan passou o secador de novo...).

Depois de bem seca a cola, hora de afrouxar os grampos (ou retirar os pesos de cima do livro) e separar cuidadosamente as madeiras das páginas do livro. Provavelmente a madeira deve ter colado junto com as primeiras páginas e é arriscado tentar "arrancar" as madeiras. É preferível usar um estilete ou uma lâmina de barbear ou uma faca de lâmina fina e bem afiada para fazer esta separação. Após, com uma tesoura, se cortam os excessos no topo e no pé da lombada. Metade do processo está pronta. Agora vamos cuidar da capa.


Lá vai outra camada de cola no pano da lombada que vai colado às capas. É esta camada de cola que unirá a gaze ao pano, fixando as páginas nas capas (bom, é mais ou menos assim, depois o Macagnan vai explicar melhor). O passo seguinte é centralizar o mais precisamente possível a lombada onde aplicamos as gazes sobre esta camada de cola e depois "prensarmos" o conjunto todo para que aconteça a união entre as partes:


Aí não teve jeito mesmo. O Macagnan teve que segurar prensado por alguns minutos até que a cola secasse e a colagem ficasse pronta:


A ideia é que fique assim: o pano preso às gazes e a parte da capa que fica sobre a lombada fique livre para permitir a abertura e o fechamento do livro. Está pronto então?

Não, ainda não... Se deixarmos assim, logo teremos a capa descolada de novo devido ao manuseio do livro. E como evitar isso?


Aqui é que entra o papel duro. Ele vai servir como uma espécie de "amarração" entre a capa e a primeira página, impedindo que o livro se desfaça novamente. Devem ser cortados dois pedaços idênticos, da mesma altura das páginas do livro. A largura das tiras vai depender do que se tem impresso na página do livro. O Macagnan usou neste livro duas tiras com oito centímetros dobrados ao meio, o que deu quatro centímetros para cada lado. Importante verificar se a largura do papel não vai sobrepor algo impresso. Feitas as tiras, vamos colá-las:


Fica mais fácil se colarmos primeiro a parte da tira na página, com a dobra do papel o mais rente possível da dobra entre a página e a capa.



Depois repetimos o processo com o outro lado da tira, também cuidando para colar o papel com a dobra o mais rente possível da dobra entre a capa e a página, com o livro aberto, para que haja uma certa "folga" na hora em que o livro for aberto evitando algum rasgo acidental. Repetimos este processo com a outra capa.


Agora sim, terminamos. E temos aí mais um livro recuperado que, se bem cuidado, tem mais uma vida toda pela frente.

Bom, pessoal; por hoje é só. Até a próxima!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Jogo da velha... eletrônico?

Bom, não necessariamente eletrônico. Tá mais pra chaveamento elétrico mas, e daí? Se funciona, que seja do modo menos complicado possível.
A ideia surgiu depois de ver uma postagem do Blog do Picco sobre a querida e saudosa revista Divirta-se com a Eletrônica do saudoso Bêda Marques e turma, mais especificamente a revista número 01, a partir da página 14, onde trazia o projeto do Jogo da Velha. Numa primeira leitura pareceu complicado mas depois relembrando as regras do jogo fica menos complicado entender como deve funcionar o circuito. Daí o Macagnan colocou na cabeça que iria montar um desses. Bom, então o jeito é adquirir os materiais. Vejamos a lista (resumida) de materiais do projeto original:
  • Nove leds verdes
  • Nove leds vermelhos 
  • Dezoito chaves H-H miniatura
  • Duas pilhas grandes
  • Suporte para duas pilhas grandes
  • Dezoito resistores de 100 ohms
E os demais apetrechos necessários (caixa para a montagem, fios, parafusos e porcas, soldador, solda, fita isolante e etc...).

 Vamos começar pelos leds e por sua alimentação. Usar duas pilhas grandes com suporte não seria muito prático pelo fato de serem volumosas e conforme o modelo e qualidade do suporte, se deslocariam facilmente podendo causar mau funcionamento do brinquedo. Por que não usar baterias de 9 volts? São mais leves que duas pilhas grandes, compactas, fáceis de fixar e fáceis de instalar e trocar. E assim ficou decidido pela bateria de 9 volts como alimentação do circuito:

Vamos usar apenas uma destas baterias, ok?
Alterada a tensão de alimentação do circuito, deve-se calcular novamente o valor dos dezoito resistores originalmente de 100 ohms, que irão rebaixar os 9 volts da bateria para um valor de tensão que não provoque a queima do led. Vamos para a internet procurar uma calculadora para isso (já que o Macagnan estava com preguiça de realizar os cálculos à mão). Sabendo-se o valor do maior resistor, o valor comercial mais próximo foi o de 470 ohms, que atenderia aos leds agora alimentados por 9 volts:

Resistores adequados para o trabalho em 9 volts
Epa, mas na lista da revista tinham dezoito resistores e na foto tem vinte! Não tá errado, Macagnan?
Calma, o Macagnan comprou dois a mais (vai que dá problema, tem que ter uma reserva...) pelo fato do vendedor dos leds (no Mercado Livre, pra variar) anunciava pacotes com dez leds mais resistores para venda. Daí o Macagnan adquiriu dois pacotes. Um com dez leds verdes:

Leds 3 mm de alto brilho verdes
Outro com dez leds azuis, para dar um contraste maior:

Leds 3 mm de alto brilho azuis
Leds e resistores à mão, a primeira ideia do Macagnan era montar o circuito em uma placa universal de circuito impresso e depois fazer um gabarito com a posição dos leds para fazer a furação na caixa que iria abrigar o jogo. Mas como essa história de gabarito nem sempre dá certo para o Macagnan e ficaria feio uma caixa com os furos dos leds fora de posição, o jeito foi partir para o plano B: posicionar os leds primeiro e depois ligá-los às chaves. Então vamos preparar os leds: soldar o resistor e um par de fios em cada um dos vinte leds. Peraí! Vinte leds? Por que se são usados só dezoito? Pelo seguinte: Se você já preparou dezoito, o que custa preparar mais dois? Sem falar que, depois de prontos, não tem como perder só o led ou o resistor!

Como se sabe, leds são polarizados, ou seja, tem jeito certo de serem ligados para que funcionem, diferentemente das lâmpadas. Geralmente a maioria dos leds segue um padrão assim:

Senhoras e senhores, o LED!
Dentro do led há um terminal mais longo e outro mais curto. Geralmente o mais longo é o terminal negativo (cátodo) e o outro o positivo (ânodo). O led só irá acender se a tensão chegar pelo terminal positivo e sair pelo negativo, caso isto seja invertido, o led não acende nem por decreto! Aqui cabe uma discussão rápida e interessante: em muitos circuitos veremos o resistor limitador ligado ao positivo do led e em outros ligado ao negativo do led. Supondo-se que o led seja alimentado corretamente, como é correto ligar o resistor ao led? No terminal positivo, onde a tensão estaria chegando ou no negativo onde a tensão estaria saindo do led? A resposta é: FUNCIONA DA MESMA MANEIRA! O Macagnan prefere (e isso é uma preferência pessoal) soldar o resistor no ânodo para limitar a tensão já na entrada do led e também para identificar o terminal positivo do led. Deve ficar mais ou menos assim:

Led quase pronto
Para garantir que tudo está funcionando corretamente e que nenhum led foi soldado invertido, o Macagnan realizava um teste logo após terminar a soldagem de cada led:

Muito bom! Nada explodiu e nenhum led queimou.
Reaproveitando fios de uma fonte de computador queimada, o Macagnan montou um chicote para cada led. O fio preto foi soldado ao cátodo (negativo) do led e os fios vermelhos e amarelos aos resistores dos leds, para distinguir os leds de cores diferentes na hora da montagem:

Leds já prontos e agrupados por cores
Depois dessa trabalheira toda, falta apenas isolar os terminais dos leds para não encostarem um no outro e provocar um curto-circuito que fará com que o led não acenda e descarregue a bateria mais rápido do que o esperado.

Prontos os leds vamos ao próximo item: dezoito chaves H-H miniatura. Dezoito? Hã? Sim, o projeto original do jogo tem dezoito dessas chaves:

Eis a danadinha aí!
E olhando o esquema original do jogo na página 18 observa-se que só é usada meia chave, ou seja, somente o terminal central e um terminal lateral. Isso dá uma chave para cada led. E analisando melhor o circuito e a sugestão de montagem da revista, existe a chance de ocorrer o acendimento dos dois leds em uma mesma posição (o equivalente a colocar um X e um O no mesmo quadrado na versão de papel do jogo da velha). Sem falar que dezoito dessas chaves encareceriam demais o projeto. Ademais, estas chaves nem sempre possuem resistência física para suportarem acionamento repetitivo podendo, conforme a frequência de uso, apresentarem desgaste e travamentos mecânicos. Mas o que incomodava o Macagnan era o preço e a possibilidade de acionamento dos dois leds no mesmo quadrado. Como eliminar isso? Bem, para reduzir o custo não havia outro jeito a não ser diminuir a quantidade de chaves. Já para eliminar a possibilidade do acionamento incorreto dos leds, deveria existir um meio de se bloquear um led ao se acionar outro. Mas como fazer isso sem acrescentar mais componentes extras? Utilizar o outro lado da chave H-H para acionar o outro led? Isso resolveria o problema do acionamento dos dois leds ao mesmo tempo e reduziria pela metade a quantidade de chaves mas... Tinha que ter um "mas" na história!

UM DOS LEDS SEMPRE FICARIA ACESO! Por quê? Porque essa chave sempre mantém o terminal central em contato com um dos dois terminais laterais, logo sempre haverá um led alimentado e aceso. Putz! e agora? Daí o Macagnan lembrou de uma chave com a qual tinha lidado uma vez e que podia ser a solução definitiva:

Essa foi a "salvação da lavoura"!
Este tipo de chave existe, além deste tipo (alavanca), também dos tipos gangorra (tecla) e deslizante (parecida com a H-H). O que tem essa chave de tão especial? É que esta chave, além de manter contato entre os terminais central e laterais quando acionada a alavanca para um lado ou outro, também pode ficar parada na posição central, onde não mantém contato com nenhum outro terminal, ou seja, fica "desligada" na posição central. Esta chave é mais conhecida como chave on-off-on. Agora ficou fácil: ligando-se os fios coloridos dos dois leds de um mesmo quadrado na mesma chave elimina-se a possibilidade de acionamento dos dois leds ao mesmo tempo e reduz-se a quantidade de chaves (e o custo). Então vamos adquirir adquirir nove dessas (dessa vez o Macagnan adquiriu o número exato porque a grana tava escassa):

Que belezinhas!
Não é necessário mas o Macagnan inventou de colocar uma chave liga-desliga com um led vermelho preparado como os outros, só para o caso de se esquecer o jogo ligado com algum led acionado. Uma simples chave gangorra foi o suficiente:

Temos uma chave geral!
Com a maioria dos componentes já prontos para a montagem era hora de pensar na caixa. A ideia era de algo que fosse de tamanho suficiente para abrigar os componentes com uma certa folga e que não fosse tão grande nem alta demais. A solução foi uma caixa em MDF de aproximadamente 17cm x 17 cm, comprada pronta (aquelas caixas que o pessoal compra em MDF cru depois pinta e faz trabalhos artísticos):

Será que vai caber tudo aí dentro?
A tampa serviu de painel de chaves e de tabuleiro para os leds. Depois de um bom tempo rascunhando em papel, hora de calcular a distância e a disposição das chaves e leds, determinar os centros para furação e o tamanho das brocas, o Macagnan chegou a este layout:

Já tá tomando cara de brinquedo
Os pares de furos na parte superior são para os leds, os furos maiores na parte inferior são para as chaves e ao lado à direita o buraco para a chave geral e o led. A pintura ficou a cargo da Dona Esposa Chefa da Casa:

Dona Esposa caprichando!
Depois da pintura, foi feita a marcação da grade do jogo e os X e O acima dos furos dos leds correspondentes e o envernizamento da caixa. Hora de prender as chaves (muita paciência e jeitinho para não danificar as chaves) na caixa de modo que a alavanca deslize na horizontal ao ser acionada:

Chaves devidamente posicionadas e presas em seus lugares
Hora de posicionar a chave geral: foi só deslizar pelo buraco e conferir se as travas estavam bem posicionadas, firmando a chave na tampa da caixa:

Chave geral já em seu lugar
Hora de prender os leds no lugar para que não caiam da tampa. Nesta hora entram em ação os fios coloridos que soldamos aos leds para distinguir as cores dos mesmos. O Macagnan teve que usar, nesta etapa, a pistola de cola quente para fixar os leds por dentro da tampa. A sequência de leds foi montada dessa forma, com a tampa virada:

AZ  VD    AZ  VD     AZ  VD
 
AZ  VD     AZ  VD     AZ  VD

AZ  VD     AZ  VD     AZ  VD

onde AZ = led azul e VD = led verde. Desta forma, ao desvirar a tampa da caixa, o Macagnan configurou os leds verdes para X e os azuis para O. Hora de soldar os leds às chaves! Mas antes, como já havia acontecido uma vez, o Macagnan resolveu testar as chaves com um multímetro para acertar a forma de mover a alavanca da chave para o mesmo lado em que o led se acenderia. Deslocou uma chave para a esquerda como se fosse acender o led verde e, com o multímetro na escala de continuidade, colocou uma ponta de prova no terminal central da chave e com a outra ponta encostou em um e outro terminal lateral até um deles apresentar continuidade. Dessa forma o Macagnan descobriu que estas chaves trabalhavam de forma invertida: se acionada a alavanca para a esquerda, a chave ligava o terminal da direita ao terminal central. Dessa forma ficou fácil realizar as ligações corretas dos leds: ao virar a tampa de novo para baixo, o primeiro led azul do grupo à esquerda e acima tem seu fio colorido soldado ao terminal da direita da primeira chave à esquerda da primeira linha de chaves. O led verde desse mesmo grupo tem o seu fio colorido soldado ao terminal da esquerda da mesma chave e assim sucessivamente com todas outras chaves, soldando os leds cruzados às chaves correspondentes (o led à esquerda no terminal da direita da chave e o led à direita no terminal da esquerda). Este é o ponto crucial da montagem pois, se alguma ligação for invertida, o comportamento dos leds será diferente do esperado. O fio preto dos leds ainda não será ligado neste passo.
Repare que não soldamos nada ainda ao terminal central das chaves. É nele que iremos ligar o fio que vai ao pólo positivo da bateria. Para isso usaremos um pedaço grande de fio, decapamos e estanhamos sua ponta e a soldamos ao terminal central da chave mais à direita da primeira linha de chaves, deixamos uma folga no fio, medimos e decapamos o fio para soldá-lo ao terminal central da próxima chave, formando assim uma "ponte" entre os dois terminais das chaves. Repetimos este processo até a última chave da última linha de chaves onde deixamos um pedaço de fio o suficiente para soldarmos na chave geral com uma certa folga. Dessa forma, levaremos os 9 volts da bateria para todas as chaves. Cuide para não aquecer demais as chaves na hora da soldagem para não danificá-las. Ao soldarmos o fio positivo no terminal lateral da chave geral, aproveitamos para soldar também o fio positivo do led da mesma, que deve possuir seu resistor ligado conforme os demais leds. Os fios pretos são soldados juntos, inclusive o do led da chave geral. Como o Macagnan deixou curtos os fios pretos, teve que improvisar uma plaquinha de circuito impresso para criar um barramento comum para todos os fios. Essa barafunda toda ficou mais ou menos assim:

Assustador, não? Mas nem tanto assim.
Agora falta ligar a bateria e alimentar esse circuito todo. E o Macagnan esqueceu de comprar um conector de bateria. Em conversa com um amigo, este sugeriu retirar a peça faltante de um rádio relógio velho. E assim o Macagnan conseguiu a peça que faltava. E lá vai mais solda! O fio vermelho direto no terminal central da chave geral e o fio preto no barramento, junto com os outros fios pretos dos leds. E para prender a bateria no lugar, dois pedaços de madeira colados no fundo da caixa e um pedaço de fita dupla face criaram o alojamento da bateria. Outro pedaço de fita dupla face prendeu o barramento improvisado:

Habemus bateriae!
Hora do teste de fogo! Ligada a chave geral, o led indicador acendeu e nada explodiu. Até aqui tudo bem. Vamos testar as chaves. Todas as nove chaves foram acionadas para a esquerda e todos os nove leds da mesma cor acenderam. Invertidas as posições das chaves, todos os leds da outra cor acenderam. Tudo certo! Se algum led tivesse sido ligado invertido, teria-se percebido nesse teste. E no primeiro jogo, o X ganhou:

O X venceu o jogo inaugural
Bom, pessoal. Por hoje é só! Até a próxima!

terça-feira, 26 de abril de 2016

A anatomia de uma tragédia - Ato único

(Entra em cena o Macagnan com a iluminação acendendo gradualmente, aparentando estar distraído, varrendo e assobiando).

Ôpa! Depois de outra sumida, o Macagnan reaparece aqui. Obrigado aos fiéis leitores deste blog por ainda passarem por aqui quando tem algo novo. Tá um pouco demorado para abastecer esse blog mas vamos conforme dá. Desta vez sim, foi uma tragédia e o Macagnan explica: a tragédia foi no final, portanto continuem assistindo a esse programa ops, lendo esta postagem. Pra variar um pouco,é sobre o Atari sequelado. Lembram-se que eu havia dito em uma postagem que ele estava com problemas no soquete do cartucho e que estava sem opção? Mercado Livre, Aliexpress, Deal Extreme e nada... Inspirado pelo espírito DIY do Tabajara Labs (se não tem, o Tabajara faz...) o Macagnan foi à procura de algo que pudesse ser usado no lugar deste soquete. O Macagnan chegou até a cogitar a possibilidade (verificada com o Dablio e perfeitamente possível segundo ele) de se instalar um multicart no lugar do conector. Mas a vontade mesmo era de ter um Atari como o original, colocando e retirando cartuchos.

Um belo dia, do nada, olhando para uma placa-mãe o Macagnan teve um "flash". Foi atrás de uma placa mãe sucata que tinha barramento ISA (conector de expansão preto):

Pros curiosos: é uma Biostar M7VKQ por algum motivo mortinha da silva... Hora da cirurgia, doutor Macagnan...


Com paciência e cuidado, separa-se a parte menor do barramento ISA, que é a que vai dar mais certo no nosso caso. Um close no corte:


Depois de muito tempo, paciência e cuidado para não destroçar o precioso pedaço do soquete ou derretê-lo (o ferro de soldar já estava com a ponta péssima, e era um de 40 watts), eis que nasce a criança:


Bom, dado o início na obra agora era conferir se os contatos do soquete iriam bater com os da placa do cartucho (verificar se os dois tinham o mesmo passo - se não me engano passo 2,24 mm).


Pros curiosos, novamente, a placa é de uma Fantastic Voyage (jogo que não entendi direito até hoje) que usei de "cobaia" para todos os testes. Encaixou bem, com pressão e pareceu ter sido feito sob medida. Vamos conferir:

 
É, deu bem certo. O Macagnan aproveitou e retirou os pinos excedentes do soquete caseiro (três de cada lado) para que fosse possível o encaixe na placa mãe do Atari sem problemas. Feito isso, a questão seguinte era: como encaixar a placa do cartucho EXATAMENTE na mesma posição, sempre? Aí o jeito foi criar batentes ou limitadores. A inspiração veio da questão da trava física de cartuchos do Super Nintendo (duas travinhas plásticas dentro do gabinete impediam que as fitas japonesas, de 72 pinos do Famicom fossem usadas no console americano, cujo conector tinha 60 pinos). No desespero, o Macagnan revirou sua sucata e achou quem?


Sim, ele! O velho e multiuso JUMPER! Depois de vários ajustes, o Macagnan descobriu que o melhor ajuste do jumper era sem o miolo metálico e com a capa plástica amassada com cuidado até dar a altura certa para que não ocorresse mau contato do cartucho por excesso de afastamento do contato metálico causado pelo jumper. 


Para se conseguir a posição exata de colagem dos limitadores com cola Super Bonder, o Macagnan refez o alinhamento da placa do cartucho com os contatos cuidadosamente, encostou os limitadores, deixando uma folga milimétrica para facilitar o "jogo" lateral na hora de encaixar o cartucho e prendeu os limitadores com dois pingos da cola na parte oposta à placa (para não colar a placa). Seca a cola, saiu a placa e mais algumas gotas de cola para reforçar (Vai ficar indestrutível, hahahahaha...) Depois uma acertada na altura para ficar no mesmo nível do plástico preto. Agora, partir para a fase de ajustes. Muita paciência nesta hora para não perder tudo que já foi feito até aqui.


Com uma serra para metais, uma faca afiada, lima e alguma outra ferramenta que o Macagnan não lembra mais que usou, hora de moldar o novo conector ao formato do velho. Outro "close" do novo:


Tá bastante parecido com o original. Esses rebaixos laterais são para assentarem em duas "torres" dentro do quia dos cartuchos para que o conector fique preso e alinhado a ele. E, falando em parafuso, temos os furos para fazer!


Esse guia , além de ser fixado na placa mãe do Atari por duas travas plásticas, é fixo por dois parafusos ao slot que vai soldado na placa mãe. A dica dos parafusos foi do Alexandre do Tabajara Labs. E não para por aí. Tem mais um ajuste no plástico:


O soquete caseiro tem que ter uma certa folga para que encaixe dentro do rebaixo dessa peça plástica grande, desajeitada e aparentemente sem utilidade. Não pode ficar justo porque senão o mecanismo não funciona. Essa peça vai dentro do guia do cartucho e antes do soquete e age como um obturador, protegendo a "boca" do soquete contra poeira e queda de pequenos objetos que possam causar um curto-circuito entre os contatos. Dois pedaços de espuma, colados na parte de trás da peça fazem a função de molas.

Mas... agora vem a parte da tragédia...


Não, o Atari não explodiu. Simplesmente não deu certo. Por quê? Pelos seguintes motivos:
  1. Os pinos do soquete ISA são mais curtos que os do soquete original do Atari.
  2. Por causa disso, se o soquete é montado no guia do cartucho, os pinos não atravessam a placa mãe do Atari, sendo assim impossível soldá-los.
  3. Por outro lado, se o soquete é soldado na placa-mãe do Atari, fica afastado demais em relação ao guia do cartucho, ficando difícil alinhar os dois com precisão.
  4. Com o soquete soldado na placa mãe do Atari, perde-se o contato do cartucho com o soquete porque o soquete caseiro fica mais baixo do que o original.
  5. Se tentamos encaixar o cartucho direto no soquete (sistema parecido ao Gemini, ao Super Game da CCE) a maioria dos cartuchos não permite um contato correto novamente por causa da altura do soquete caseiro.
Porém o Macagnan não desistiu. Pegou a placa da Fantastic Voyage e espetou-a no soquete caseiro para ver se pelo menos funcionaria. E funcionou! Umas cinco ou seis vezes depois parou de funcionar, apresentando sintomas de que havia problemas no barramento do soquete. Depois de pesquisar muito na internet e; munido de paciência, um multitester e água gelada (era uma tarde quente), o Macagnan descobriu mais algumas trilhas sem continuidade, aparentemente íntegras sob o verniz. E tome-lhe solda e fios de "ponte".

E como desgraça pouca é bobagem, tempos depois de conseguir no Mercado Livre três soquetes (dois do Atari e um do Super Game, pelo modelo), o Macagnan foi tentar dessoldar o soquete caseiro para substituí-lo pelo comprado e, como o ferro de solda estava péssimo, durante a dessoldagem o calor soltou praticamente todas as ilhas de soldagem do soquete. Desnecessário dizer que depois disso o ferro de soldar nunca mais viu a luz do dia (foi descartado). Agora o jeito é pegar o esquema compatível com o 2600S no AtariAge e ir refazendo as ligações uma a uma.

Mas como nem tudo são espinhos, neste intervalo, o Macagnan continuou a "namorar" um Atari ("Darth Vader") no Mercado Livre e eis que um belo dia surge uma oferta irrecusável de um Atari 2600 por um preço justo. Foi atração à primeira vista e não deu outra: O Atari veio para a casa do Macagnan


Imagem: Memória Bit
Não é exatamente esse mas é o mesmo modelo. Com cabo de vídeo e um conector tipo RCA com o pino central mais grosso na saída de vídeo e o cabo de energia um pouco duro mas sem quebras ou falha na isolação. Ao virar de cabeça para baixo, a surpresa: os lacres da Polyvox intactos! O Macagnan quase teve um orgasmo! Correu para o celular e em uma conversa rápida via aplicativo de mensagens com o Alexandre do Tabajara Labs, este informou que era uma saída de vídeo já compatível com a entrada de de 75 ohms ("entrada de parabólica") e não havia necessidade de "baluns" para converter 300 ohms para 75 ohms. Aproveitando uma ida a Porto Alegre, o Macagnan foi procurar um adaptador na famosa rua Alberto Bins e encontrou um conector para substituir pelo original e que encaixava na TV (conector F 4 mm soldável). Feita a troca e dê-lhe jogar! Mas com controles feitos em casa também:


Bom, pessoal; por hoje é só! Até a próxima!
Google+