segunda-feira, 13 de abril de 2015

Um caipira mentiroso? não...

É, e neste ano de 2015 teve novamente Festival da Mentira em Nova Bréscia. E o Macagnan resolveu também entrar na brincadeira, afinal de contas este festival acontece a cada dois anos caso não ocorra algum imprevisto.

Nesta edição, aconteceu a substituição do símbolo tradicional do festival (uma porca dentro da abóbora) por motivos de divergência quanto ao direito de uso da imagem, mas esta é uma história muito longa. Procurando na internet o Macagnan encontrou um texto que resume um pouco da história do Festival da Mentira e reproduz aqui algumas partes para que você possa entender um pouco do que é este evento:
"O Festival da Mentira teve o seu inicio em uma brincadeira de amigos. No dia 14 de maio de 1982, numa sexta-feira à noite,um grupo de amigos, reunidos na Sociedade Recreativa e Cultural Tiradentes para um jantar onde, após este, o grupo ficou curtindo um divertido bate-papo com muitas risadas, piadas e mentiras, o que é muito comum em uma roda de amigos um atochar o outro com uma mentira, GILBERTO LASTE, conhecido como CATRACA, deu a sugestão de realizar um FESTIVAL DA MENTIRA. As pessoas que estavam presentes neste jantar gostaram da idéia e alguns já se dispuseram a ajudar. O Festival ficou marcado para o dia 22 de maio de 1982, apenas oito dias após o encontro que deu origem à idéia. A SRCT (Sociedade Recreativa e Cultural Tiradentes) gostou e aprovou a realização do Festival, onde mais tarde patenteou o evento. Na época o presidente da sociedade era Dalton José Nichel e a comissão organizadora do festival foi composta por: Celto Dalla Vecchia, Ângelo Mezacasa (Colombim), José Querino Dalpian e Gilberto Laste (Catraca). Apesar do pequeno espaço de tempo entre o surgimento e a realização do primeiro Festival, este foi amplamente divulgado. No dia 18 de maio de 1982, terça-feira,saíram de Nova Bréscia, Gilberto Laste (Catraca), Ângelo Mezacasa (Colombim), na época Vereador, e Celto Dalla Vecchia, com destino à capital - Porto Alegre, onde visitaram os meios de comunicação para a divulgação do evento. Em todos os locais em que passaram receberam muito apoio o que garantiu o sucesso do Festival. O primeiro Festival foi grandioso embora o pequeno espaço de tempo para a divulgação. Inscreveram-se 20 pessoas para contarem suas mentiras, onde o vencedor foi José Calvi da cidade de Encantado, com a mentira “A FAZENDA DO MEU PAI”. A realização do Primeiro Festival aconteceu no dia 22 de maio de 1982 às 20 h na SRCT. Compareceram aproximadamente 400 pessoas para prestigiarem o evento. A RBS-TV, de Porto Alegre, esteve presente no festival e no domingo, dia 23, o evento foi apresentado para todo o Brasil pela Rede Globo de televisão no programa Fantástico. Para a organização do evento e para a comunidade o 1º FESTIVAL DA MENTIRA superou todas as expectativas, foi um sucesso total. No inicio a comunidade não gostou muito da idéia de um Festival da Mentira, pois mentir era, e ainda é, algo muito feio. A população não queria que o município tivesse fama de cidade dos mentirosos, mas, com o tempo entenderam e aprenderam a responder as provocações usando frases como: “os mentirosos vem de fora”, ou “nunca um bresciense ganhou o 1º lugar no festival”. Com o segundo festival, surge o slogan: “POVO DE VERDADE BRINCA COM A MENTIRA escolhido pela organização do evento. Além do slogan, surgiu também um logotipo que é um porquinho saindo de dentro de uma abóbora, criado por Mairi Scartezini Giovanaz, que venceu um concurso feito com os alunos da escola local no ano de 1983. O logotipo foi inspirado na mentira ganhadora do primeiro Festival da Mentira. O 2º Festival teve mais tempo para a organização e ganhou cartazes e muita divulgação. O evento aconteceu no dia 17 de setembro de 1983 e durante o dia teve atrações variadas e até shows".
  Nesta edição tive o prazer de conhecer pessoalmente depois de alguns anos o cantor, radialista, artista e mentiroso Juvenal Jorge Dal Castel.  Juvenal é um cantor de música do estilo "talian" (músicas em dialeto vêneto, criadas ou inspiradas na saga dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil em busca de melhores condições de vida do que na Itália):


O amigo Juvenal devidamente trajado para contar sua mentira à esquerda...


... e o Macagnan também devidamente trajado para contar o seu "causo".

Sim, no Festival da Mentira, o mentiroso tem direito a crachá de identificação e de um a dois dias de fama, digamos assim...


E o Macagnan ganhou autorização para mentir (pelo menos durante o Festival).

O Macagnan resolveu encarnar desta feita o papel de um caipira do interior de São Paulo (o que aliás não foi difícil pois o Macagnan É do interior de São Paulo, portanto caipira...) e contar um "causo"...


Que tal o modelito?


O bigode é de verdade, sim senhor!
Bom, devidamente retratado pela "dona patroa" na Centro Administrativo Municipal, era hora de aguardar a chamada para contar o "causo". No auditório do Centro Administrativo foi instalado um sistema de som e projeção que permitia a qualquer pessoa que ali estivesse assistir aos mentirosos apresentando suas "proezas" para a comissão julgadora. E novamente a "dona patroa" entrou em ação registrando o causo do Macagnan:



Mas, apesar de toda preparação, apesar do figurino caprichado (pra um caipira até que não estava nada mal!) o Macagnan não se classificou para a final. Mas valeu pela diversão, pelo desafio e pela oportunidade de poder conhecer e conversar com pessoas diferentes e com histórias interessantes.

E para quem tem memória boa, o causo que o Macagnan contou já apareceu aqui no Blog, com o nome de "a saideira do Seu Chico", no seu formato original em "caipirês". Para quem tem dificuldade na tradução do caipirês para o português, o Macagnan deixa de saideira o texto já traduzido que serviu de base para o causo, com algumas pequenas modificações:

"Uma vez o Tião apareceu lá no sítio do pai com um tal de violão importado lá da Europa e que tinha um tal de acompanhamento. É claro que nós não acreditamos e demos risada! Onde é que se viu um violão com acompanhamento? Tudo bem nós sermos da roça, mas ignorante nós não somos! O Tião jurava que era verdade e nós ríamos até sair água dos olhos. Aí o Tião embraveceu! Perguntou se nós duvidávamos mesmo que o violão tinha acompanhamento e eu respondi que só acreditava se ouvisse. Então o Tião disse que ia dar a prova. Ajeitou o violão em cima da perna, deu uma riscada nas cordas e nós vimos uma luzinha bem fraquinha iluminando dentro do violão e uma pancadinha na madeira. Aí nós ficamos curiosos. O Tião puxou uma moda de viola e nós ficamos quietos, escutando... e não é que tinha mesmo o tal do acompanhamento? O Tião ia tocando e da caixa do violão se escutava umas batidas no ritmo da moda. Depois que o Tião acabou de tocar, a tal luzinha apagou e pararam as batidas. Daí o Zé Linguiça quis ver se era mesmo verdade ou lorota do Tião e pediu emprestado o violão. No que ele pegou, deu uma chacoalhadinha e disse pro Tião que tinha “um trem meio pesado dentro do instrumento” e o Tião disse que era a tal da maquininha de acompanhamento. O Zé Linguiça riscou uma catira e não é que o excomungado acompanhava mesmo? Até os floreios fazia! Nisso a mãe veio nos chamar para jantar e convidamos o Tião para jantar e depois mostrar o tal violão das Europas para o pai, para a mãe e para as irmãs. Depois da janta, o pai pegou um litro da “branquinha” curtida na imburana e convidou o Tião para mostrar o tal violão. Para encurtar o caso, ficamos até a noite na varanda cantando, conversando e escutando, e como o Tião já estava “manguaçado”, o pai pediu para ele dormir lá em casa ao invés de sair pelo mato de noite. Aí então eu e o Zé Linguiça nos combinamos de descobrir qual era o segredo do violão. Depois que o Tião tinha dormido (nós sabíamos que tinha dormido porque o homem roncava mais que trator subindo barranco), fomos até a sala onde tinha ficado o tal instrumento. O Zé Linguiça acendeu uma lanterninha de pilha e olhamos dentro para ver como era a tal da maquininha. Vocês não vão acreditar no que vimos: a tal da maquininha era um sapo que, quando se começava a tocar o violão, punha a língua para fora com um vagalume preso para iluminar o escuro dentro do violão e batia as patas na madeira para fazer o acompanhamento! Vocês acreditam nisso? Eu só acreditei porque vi senão também achava que era mentira".
 Bom, pessoal; por hoje é só! Até a próxima!

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