quinta-feira, 1 de maio de 2014

Lâmpada de série "chaveável" com materiais reaproveitados (ou a maior parte deles) - Parte 2

Bem, continuando a postagem anterior, vamos à montagem propriamente dita da lâmpada de série já que conhecemos os materiais utilizados. Mãos (e ferramentas) à obra!


Primeiro separamos os dois cabos e ligamos aos parafusos de contato do soquete. Este modelo tem os parafusos situados na parte de baixo. Lembram que na postagem anterior vimos que cada parafuso vai em um contato diferente? E do relevo em um dos cabos? Pois bem, convencionamos que o cabo que tinha as inscrições em relevo seria o neutro. Pois então vamos ligar esse cabo no parafuso que faz contato com a parte maior com rosca e o outro cabo no parafuso que faz contato com a "lingueta" no centro do soquete. Teoricamente (e isso serve para instalações residenciais de soquetes que vão ligados à rede elétrica), se o neutro vai conectado ao contato maior e o fase ao menor, a chance de alguém enfiar um dedo no soquete e levar um choque é muito menor.


Deixamos o soquete pronto e partimos para o restante do cabo que irá servir de "rabicho". Separamos um cabo do outro e ligamos aquele que convencionamos que seria o neutro a um dos polos da tomada. O Macagnan escolheu o mais distante dos parafusos da tecla para facilitar as ligações do fio fase. Vamos em frente:


Desta vez ligamos o outro fio, o que seria o fase, no parafuso central da tecla paralela. E, por enquanto, deixamos a tecla e a tomada assim. Vamos para a caixa, fazer as passagens dos fios e a fixação da caixa na madeira de base.


Decida onde vão passar os cabos da lâmpada e da alimentação (o "rabicho"), tendo como base o layout que você decidiu anteriormente. Faça os cortes no tamanho necessário para a passagem do cabo, assim fica mais "profissional"... E não esqueça de dar o tradicional "nózinho' dentro da caixa no cabo de alimentação para evitar que eventuais puxões causem algum estrago físico ou elétrico (o Macagnan esqueceu de fazer mas como o fio ficou bem justo na caixa, deixa assim mesmo).


Só para registrar como foi feita a fixação da caixa na madeira de base com dois parafusos de madeira. Para facilitar, passe antes os fios pelos cortes que foram feitos anteriormente e depois fixe a caixa na madeira (o Macagnan esqueceu deste detalhe e teve que soltar a caixa, passar os fios e depois reaparafusar).


Depois de presa a caixa, esse (ou parecido com esse) deve ser o aspecto da montagem até então. Na foto, os cabos soltos à direita são os do soquete da lâmpada que irão ser conectados de modo que a lâmpada fique em série com a tomada e que a energia elétrica flua primeiro pela lâmpada e depois passe pela tomada, provocando assim a queda de tensão ANTES do aparelho ligado à tomada.


Ligue o cabo sem relevo que foi ligado ao soquete da lâmpada (esse fio ficou convencionado como o fase, que vai à "lingueta" do soquete, por questão de segurança) em qualquer um dos parafusos laterais da tecla paralela. O Macagnan optou por ligar este fio ao parafuso que fica alinhado com o parafuso no qual foi ligado o fio neutro do cabo de alimentação pois ficará mais fácil fazer as próximas ligações nos parafusos por enquanto vagos na tecla e na tomada.


A outra ponta do cabo que foi ligado ao soquete vai ligada ao parafuso vago da tomada, próximo do parafuso vago da tecla. Neste ponto da montagem, a lâmpada de série já funciona, bastando instalar uma lâmpada de potência adequada (para calcular a potência da lâmpada a ser utilizada, pergunte ao Paulo Brites), ligar o aparelho que desejamos na tomada e acionar a tecla, acendendo assim a lâmpada. Mas, você lembra, caro leitor, da pergunta inicial do Macagnan:
Como será que poderia ser montada uma lâmpada de série que pudesse ser usada enquanto a pistola ficasse ociosa e quando necessário, a pistola ser usada fora da lâmpada de série sem precisar usar duas tomadas e o consequente "tira daqui, põe ali?
Bom, a parte da pergunta " ... que pudesse ser usada enquanto a pistola ficasse ociosa..." está resolvida: enquanto não se usa a pistola, liga-se a lâmpada de série e esta reduz a tensão e consequentemente o aquecimento da pistola.  Agora, ficou pendente a parte da pergunta "...e quando necessário, a pistola ser usada fora da lâmpada de série sem precisar usar duas tomadas e o consequente "tira daqui, põe ali". E agora, Mister M?


Eis a mágica, feita com um simples jumper ligando o parafuso que estava livre da tecla ao parafuso da tomada onde também está ligado o fio que vem do soquete da lâmpada. Nada impede que o  jumper seja feito ligando os dois parafusos diretamente (passando "por dentro") ao invés de passar por fora da tecla (acredite, o Macagnan recomenda que se faça por fora porque fica mais fácil ligar o cabo de um parafuso a outro tendo uma folga e uma alicate de ponta para ajudar). Tenha muito cuidado ao fazer esta ligação pois se o jumper for ligado de forma diferente da explicada, poderá gerar um estouro, um susto, um disjuntor desarmado e um monte da faíscas.


Aproveitando que a tecla e a tomada não estão presas na caixa, vamos fazer a marcação que irá identificar onde será a posição em que a lâmpada fica em série com a tomada e a outra posição onde a energia passa diretamente para a tomada. Como o Macagnan não tinha outra coisa disponível e nem muita inspiração para criar um desenho identificador, foi usada uma caneta para escrever em CDs e um círculo vazio indicando onde a tomada funcionaria sem a lâmpada de série (em princípio, o lado da tecla onde está o parafuso no qual fizemos o jumper) e um círculo preenchido até o meio (obviamente do outro lado da tecla). Mais adiante o Macagnan descobriu que não foi bem assim...


Prendemos a tecla e tomada nas "orelhas" da caixa com parafusos preferencialmente de cabeça chata, para não dificultar o assentamento da placa posteriormente e acomodamos os fios dentro da caixa de forma que não fiquem muito dobrados ou que possam vir a fechar um curto-circuito acidentalmente dentro da caixa.


Depois de parafusada a placa, fechando a caixa e protegendo quem for usar a nossa "engenhoca" de algum choque causado pela curiosidade, está tudo pro... ops, nem tudo pronto! Falta o plugue para ligarmos à tomada da rede elétrica!


Como o Macagnan estava aproveitando materiais que iriam para o descarte, lá foi um plugue modelo antigo para a ponta do cabo, devidamente instalado. Já que era pra aproveitar mesmo...


Plugue instalado, lâmpada rosqueada no soquete, agora sim, a lâmpada de série está pronta para o que o Macagnan chama de "Teste de fogo", que é a primeira vez que um equipamento é ligado. "Teste de fogo" porque, da primeira vez, há 50% de chances de tudo funcionar bem e 50% de chances de pegar fogo....

Estando tudo feito rigorosamente conforme o mostrado até agora, resta testar a lâmpada de série que montamos. Para isto, o Macagnan usou uma lâmpada de 40 watts por 220 volts (a rede elétrica no Rio Grande do Sul, exceto Porto Alegre, é 220 volts) e um ventilador de 45 watts como aparelho de teste. Da primeira vez o ventilador não ligou em nenhuma das duas posições da tecla. O defeito: o Macagnan esqueceu de ligar o ventilador... 


Ventilador ligado, tecla na posição de alimentação direta da tomada, o Macagnan ligou o cabo de alimentação da "engenhoca" em uma tomada e... ops!


Não, não explodiu, mas a lâmpada acendeu com brilho reduzido. Não era para acender. Mas o ventilador girava mais devagar que o normal. Invertendo a tecla, para o lado onde a lâmpada deveria ficar em série com a tomada.. também não explodiu mas apagou a lâmpada e o ventilador voltou a funcionar normalmente. Menos mal, está funcionando, mas de forma inversa. O Macagnan desligou  tudo da rede elétrica e foi conferir o funcionamento da tecla com um multímetro digital na posição de teste de continuidade (com o ventilador fora da tomada e a "engenhoca" fora da tomada da rede elétrica). Uma ponta de prova no parafuso central da tecla e a outra ponta em um parafuso lateral e o mistério estava desvendado: no modelo de tecla que o Macagnan usou, a tecla abaixava de um lado mas o contato que se fechava e dava passagem à energia era o do lado contrário, por isso o comportamento invertido. A forma mais fácil de consertar isso foi refazendo a marcação na tecla, já que tudo estava funcionando como previsto. Para retirar a tinta da caneta para escrever em CDs, bastou um cotonete umedecido em acetona e inverter as marcações.


Então, vamos testar a tal pistola de cola quente e comprovar o funcionamento da lâmpada de série. Pistola ligada na tomada, tecla na posição de alimentação direta, plugue na tomada e vamos testar. Passados alguns minutos, a pistola aqueceu e atingiu a temperatura de trabalho, hora de passar para a lâmpada de série. A lâmpada ligou, diminuiu o brilho e apagou-se e nada da pistola diminuir a temperatura. O Macagnan se perguntou: - O que aconteceu de errado desta vez se tudo está funcionando corretamente? E a solução estava na própria etiqueta da pistola de cola quente:


Repararam bem? Não descobriram o problema? Reparem na terceira linha da etiqueta:

127-220v 60Hz 10W

Eis o "problema": 127-220v, é uma pistola bivolt! Então não adiantava usar uma lâmpada de 220 volts em série com a pistola na rede de 220 volts, de acordo com pesquisas no Google, fica aproximadamente 110 volts para a lâmpada (meio brilho) e 110 volts para a pistola. A lâmpada de série funcionaria dentro do esperado mas a pistola, por ser bivolt, TAMBÉM FUNCIONARIA EM 110 VOLTS COM TODOS SEUS 10 WATTS!


Agora f#%&#...Talvez um dimmer para controlar a luminosidade de lâmpadas funcionasse neste caso mas, como o Macagnan não tinha um desses na reciclagem, a solução encontrada foi a de montar uma tomada com tecla simples, onde a esposa do Macagnan pudesse desligar e ligar a pistola de cola quente sem tirar e pôr de volta na tomada. Mas isso fica para outra postagem.

Bom, pessoal! Por hoje é só. Até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Google+