segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Atari 2600 parte 4 - Indo para os "finalmente"

(Mais uma postagem gigante mas vale a pena...)

É, 2012 já está no final e o Atari não ficou pronto. Vai ficar para  2013, paciência... Mas enquanto isso a "reforma" segue devagar, conforme sobra um tempo livre, dividido entre o trabalho, a reforma da casa e algumas horas pra dormir (o Macagnan não é de ferro, né?). Voltando aos controles, desta feita foi a vez do cabo e da placa receberem cuidados.

Lembram de um anel que ficava junto ao guarda-pó na tampa do controle e que (suponho) era colado de alguma forma na borracha? Pois é, acidentalmente acabou se soltando do local e liberando o espaço para a recolocação da alma ou torre e o guarda-pó:

Notem próximo ao centro um anel de cor mais fosca e mais clara.
Anel retirado, aparecem os encaixes.
Podemos ver na foto em "close" (segunda) alguns encaixes na tampa do controle e na terceira a parte debaixo da tampa com o anel instalado. No anel há duas linguetas maiores que servem de referência para reencaixe: uma delas vai próxima à marcação "TOP" na superfície da tampa do controle. O Macagnan esqueceu de fotografar o dito anel para mostrar como é. Por enquanto deixamos os anéis quietos, basta sabermos por enquanto de onde vem e como são encaixados para que não sobrem peças na remontagem do controle. Vamos aos cabos, que são uma outra história à parte, bem interessante, praticamente uma "via crucis"!

Os cabos utilizados para substituir os originais, presos dentro do gabinete do Atari 2600S, foram  adquiridos via Mercado Livre, da vendedora que atende pelo apelido RACHEL_CST1. Não sei até quando o link será válido, mas fica como referência.  Antes disso, tinha adquirido dois conectores DB-9 macho e fêmea para confeccionar os cabos necessários. A ideia era confeccionar o cabo do controle e em um segundo momento, implantar as entradas no gabinete do Atari. Para isso iria usar:

A) Um conector DB-9 fêmea para cada controle, que veio desmontado (se não esquecer, vou fazer um passo-a-passo ilustrado da montagem deste conector, pois sem um manual é complicado!):

Conector DB-9 fêmea, muito usado em antigos mouses seriais
B) Depois de pesquisar um pouco sobre o cabo a ser usado, descobri o cabo manga flexível de seis vias (o mesmo usado para instalação de câmeras de Circuito Fechado de TV). Esteticamente falando, seria bonito encontrar na cor preta mas não é fácil... Já vi por aí na internet sugestão de substituição deste cabo pelo cabo azul de rede porém este é menos flexível mas também vai funcionar.

Cabo manga flexível de seis vias
C) Um soldador elétrico de, no máximo 40 Watts e solda de boa qualidade.

D) Cinco quilos de calma e paciência para soldar fios finos aos teminais minúsculos do conector sem fechar curto-circuitos com soldas escorridas.

Para o Macagnan não compensou comprar o fio, pois o frete para envio era muito maior que o valor do mesmo. Outra alternativa? Cortar um cabo paralelo (de impressoras antigas) e confeccionar os dois cabos com os fios internos.

Cabo paralelo para impressoras
Mas aí vem outra questão? E como segurar todos aqueles fios juntos sem correr o risco de enrolar, quebrar, rasgar a capa? Pense que horrível deveria ser jogar com os seis fios do seu controle expostos, soltos, enroscando-se sabe-se lá onde... Pesquisando sobre alguma coisa para "encapar" os fios, o Macagnan conheceu a tal de "malha para sleeving" usada para organizar cabos, principalmente os de fontes de alimentação de computadores, também descartada pelo Macagnan por causa do alto custo do frete em relação ao seu preço.

Cabos de fonte de alimentação cobertos com malha para sleeving
A "salvação da lavoura" foi o anúncio no Mercado Livre de "Cabos para controle do Atari". Novamente não compensariam muito pelo preço dos dois cabos ficar abaixo do custo do frete mas, pelo fato de se ter o cabo pronto, com conector e tudo, valeria a pena. Pois bem, eis a foto deles:

Cabos DB-9
São cabos completos, com o conector DB-9, nove vias (cabinhos internos) e um terminal para fixação em placa de Circuito Impresso. Notem que há estampado no conector o logotipo da empresa "SEGA". Pesquisando sobre este cabo, tudo indica que deve ter sido retirado de um controle do console Master System ou Mega Drive. Quanto ao fato de ter nove vias, não há problemas. Os cabinhos não utilizados serão cortados rente à capa para não provocarem problemas.

Conector com o logo "SEGA" e os nove cabinhos
 Como o que vai nos interessar são os cabinhos e este outro terminal não tem o mesmo espaçamento dos pontos de solda na placa do controle do Atari, só nos resta descartá-lo. Simplesmente cortamos todos os cabinhos rente ao plástico visto que ainda não sabemos quem é quem na outra ponta do fio. Para descobrir isto iremos usar o multímetro.

O cabo sem os conectores. Notem a guarnição abaixo dos cabinhos.
Repararam que o cabo tem uma guarnição, aquele "tubinho" cheio de anéis perto dos cabinhos? Aquela guarnição irá substituir o tradicional nó por dentro da caixa para que algum puxão ou esforço maior não danifique o controle. Dentro da caixa do controle há uma "lombada" do lado oposto ao botão com um rasgo de cima a baixo no sentido interno para a passagem do fio do controle. É por ali que iremos passar essa guarnição e prender o cabo.

Caixa do controle já com o cabo posicionado e preso pela guarnição.
 O macete é passar primeiro os fios de baixo para cima pela parte mais redonda do rasgo até que a guarnição fique encaixada no rasgo logo abaixo do lado mais grosso da guarnição (não sem alguma dificuldade e com o auxílio de alguma ferramenta que ajude nesta tarefa), depois empurrar para baixo no rasgo até que o cabo fique encostado no fundo da caixa para não atrapalhar no encaixe da placa do controle. Bom, cabo posicionado, vamos à procura dos fios certos para ligar na placa do controle.

Sequência de fios numerada para facilitar o trabalho.

O Macagnan numerou os fios para garantir que não iria se enganar com as cores dos cabinhos. Usando uma placa que traz as abreviaturas das cores ficou fácil (aparenta ser o padrão de cores oficial da Atari para este tipo de controle):

Fio laranja (LA) = Fio 1 - vai ao contato do botão
Fio verde (VD) = Fio 2 - vai ao contato da esquerda do controle
Fio azul (AZ) = Fio 3 - vai ao contato de baixo do controle
Fio preto (PR) = Fio 4 - vai ao redor de todos os contatos
Fio branco (BR) = Fio 5 - vai ao contato de cima do controle
Fio marrom (MR) = Fio 6 - vai ao contato da direita do controle

DB-9 macho conectado ao cabo
Para facilitar o trabalho, encaixe o conector DB-9 macho (o com os pininhos) para facilitar a descoberta de quem é quem. Naturalmente dá para improvisar com um pedaço de fio colocado em cada "buraco" do DB-9 fêmea mas assim fica mais fácil a ocorrência de mau contato e a possibilidade de um erro no mapeamento dos cabinhos. Aí entra em ação novamente o multímetro para nos auxiliar nesta procura.

Iniciando a identificação dos contatos e os respectivos cabos

Como o Macagnan é a favor de fazer as coisas da forma mais fácil e rápida, juntou os DB-9 para facilitar o encaixe da ponta de prova do multímetro. Mas, qual é a sequência certa de pinos e fios a ser usada para que o controle funcione? Quem respondeu esta pergunta foi o Lucas, do site LuccasCorp.

Pinagem do cabo do controle

Confuso, né? Mas tudo fica mais fácil se posicionarmos de forma certa o conector. Olhem lá em cima onde foi apresentado o conector DB-9. Vemos ele com os "buraquinhos" apontados para o nosso rosto. Pois então essa é a visão do desenho do Lucas, e de brinde, ele nos mostra qual é a função de cada "buraquinho" do conector do controle. Vamos numerar os "buraquinhos" para ficar mais fácil de entender o que vai acontecer depois:

Pinagem identificada numericamente

 Anteriormente tínhamos identificado os fios conectados à placa do controle por cor e atribuído um número a ele. Agora vamos complementar aquela identificação acrescentando os números dos "buraquinhos" do DB-9 fêmea:

Fio laranja (LA) = Fio 1 - vai ao contato do botão e ao pino 6 do conector
Fio verde (VD) = Fio 2 - vai ao contato da esquerda do controle e ao pino 4 do conector
Fio azul (AZ) = Fio 3 - vai ao contato de baixo do controle e ao pino 2 do conector
Fio preto (PR) = Fio 4 - vai ao redor de todos os contatos e ao pino 8 do conector
Fio branco (BR) = Fio 5 - vai ao contato de cima do controle e ao pino 1 do conector
Fio marrom (MR) = Fio 6 - vai ao contato da direita do controle e ao pino 3 do conector
Os pinos 5, 7 e 9 do conector, marcados como "NU" não são utilizados neste tipo de controle.


Teste de continuidade
Bom, mãos à obra! Agora é hora de descascar a ponta dos nove cabinhos, colocar o multímetro na escala menor de resistência, posicionar a ponta do multímetro no pino 1 do conector e testar os cabinhos até achar um que dê uma medida diferente de resistência infinita (na foto acima, deu 4,3 ohms). Mantenha este fio separado dos outros e, por precaução, teste também os outros que ainda não foram testados para comprovar que não há nenhum cabinho em curto (fazendo contato indevido com outro). Caso haja algum curto é melhor descartar o cabo inteiro.

Fazendo a correspondência dos cabinhos
Achamos o cabinho que corresponde ao "buraquinho" 1 do conector. Conforme vimos na lista que completamos anteriormente:

"Fio branco (BR) = Fio 5 - vai ao contato de cima do controle e ao pino 1 do conector"

Achamos o fio 5, que corresponde ao cabinho branco. Marcamos então os dois (da placa e do cabo do conector) para depois os ligarmos corretamente. Passamos para o "buraquinho" 2, repetimos todo o processo anterior, depois para os "buraquinhos" 3, 4, 6 e 8, sempre seguindo o mesmo processo.

Cabos novos já soldados nas placas
Depois de identificados todos os cabinhos, é hora de soldá-los na placa do controle, lembrando sempre de limpar bem os resíduos de cola e raspar bem ou lixar os pontos onde será feita a soldagem para que esta fique firme e proporcione um excelente contato elétrico. O Macagnan sugere que, depois de soldados, os cabinhos sejam passados pelas ranhuras entre os contatos e, para dar maior firmeza, passar um pouco de cola silicone (aquele silicone para vedação que cheira a vinagre) para ajudar a manter os cabinhos firmes na placa. Cola quente deve funcionar também. Não é recomendável usar colas do tipo "Super Bonder", "Araldite" e similares pois tais produtos PODEM causar estragos aos cabinhos ou à placa (o Macagnan não afirma com certeza porque não chegou a testar). Vejam em "close" como ficou uma placa já soldada e com os fios passados pelas ranhuras:

Soldagem finalizada ainda sem a aplicação do silicone ou cola quente
Agora sobraram três fios que não foram usados. O que fazer com eles? Deixar soltos dentro do controle? Não, isto não é nada "profissional", correndo o risco de provocar algum curto-circuito acidental. Isolar cada um deles? Seria uma opção mas existe o risco de dificultar o encaixe da placa corretamente no controle. O Macagnan optou por cortar os fios que sobraram BEM rentes à capa do cabo de modo que os fios nunca encostarão em nada.

Chega de trabalho! Na próxima postagem vamos para a parte "mecânica" do controle, diga-se de passagem, a mais "manhosa".

Ah, ia me esquecendo, depois dessa bateria de medições, o multímetro "bateu as botas". Foi guardado funcionando e uns dias depois ligava mas já não media absolutamente nada mais, comprovando a teoria da "descartabilidade". 

Bom, pessoal. Por hoje é só! Até a próxima!

sábado, 3 de novembro de 2012

Atari 2600 parte 3 - A placa do controle

De volta, depois de um mês de espera (qualquer semelhança com Mensalão é mera coincidência, hehehe...), chegaram algumas peças e consegui emprestado (da esposa, é claro...) uma câmera melhor para as fotos. O tempo anda escasso mas sempre que posso dou uma "tocada" na reforma do Atari. Desta vez foram as placas dos controles as "vítimas" da mão do Macagnan.

No capítulo anterior, quer dizer, na postagem anterior, comentei que os controles estavam com alguns problemas de ordem mecânica (alguns contatos metálicos estavam "rasgados" pelo uso). Aí o jeito foi "caçar" alguma solução. Pela ordem de aparecimento na cabeça do Macagnan:
- Putz, agora f#%&@!
  1. Fazer os contatos em casa com um pedaço de metal; descartado por não ter um pedaço de metal certo para isso, não ter ferramenta para corte e para punção do metal.
  2. Arrancar os contatos do joystick, cortar as saliências que acionam o contato na alma ou torre do controle e substituir por parafusos com porca e arruela presos na torre ou alma; descartado pelo fato da instalação do parafuso enfraquecer a estrutura circular da torre ou alma devido à furação e retirada de material, grande chance de mau contato elétrico entre a cabeça do parafuso e as trilhas da placa, desgaste acentuado devido ao atrito da cabeça do parafuso com o cobre da trilha da placa, aparência de "gambiarra muito mal feita", possibilidade de acionamento errático do controle devido ao aumento do peso da alma ou torre.
  3. Comprar no Ebay as placas originais; descartado pela demora na chegada das placas, não reaprovitamento das placas originais que ficariam sem função, chance do problema dos contatos "rasgados" se repetir com o tempo, voltando à situação inicial.
  4. Reaproveitar os botões de borracha condutora dos controles mais modernos; descartado pelo motivo do rápido desgaste deste tipo de botão, da dificuldade de colá-los à placa e da dificuldade em repará-los quando necessitar de nova manutenção, necessidade de ajustes radicais na alma ou torre do joystick.
Como bom brasileiro que não desiste nunca, a procura continuou... E em uma visita ao Mercado Livre, veio a primeira inspiração ao ver anúncios de chaves tácteis. Aí veio a luz: Por que não substituir os contatos por chaves? Daí começou outra procura: as chaves mais comumente encontradas têm cerca de 5 milímetros de altura, o que implicaria em um desgaste acentuado da alma ou torre para fechar a caixa do controle e o seu enfraquecimento estrutural. Pesquisando mais um pouco e contando com a sorte, apareceram estas belezinhas :

As salvadoras do Atari!
Foram as menores chaves tácteis que o Macagnan encontrou à venda. Eram anunciadas como chaves tácteis para telecomando, utilizadas em chaves de automóveis onde o acionamento de alarme e travas está embutido no "cabo" da chave:

Aquelas belezinhas vão debaixo dos botões com os cadeados!
Mas, por que motivo específico o Macagnan escolheu estas chaves tácteis? Simples: pela sua altura. O vendedor informou como sendo de 2,8 a 3 milímetros a altura desta chave. Isto significa 2 milímetros mais baixas que as outras. Pouca diferença, não? Mas estes dois milímetros significam maior firmeza estrutural caso seja necessário "trabalhar" a torre ou alma do controle. Vamos olhar mais de perto uma delas (agora com uma câmera melhor dá pra fazer "closes"):

A tal chave táctil pequena e baixinha.
Ops! Ela tem cinco "pernas" ou terminais de contato! E agora? Calma, muita calma, para tudo tem um jeito. É aí que entra em cena o multímetro, figurinha conhecida das bancadas de eletrotécnicos:

Digam olá para o nosso amigo multímetro...
Tá certo, este não é um modelo dos mais precisos e conhecido por uma certa tendência à "descartabilidade" mas, no momento, o Macagnan precisava que funcionasse pelo menos na escala de medida de resistência conforme na foto. Em quase todos os multímetros a escala para medida de resistência é identificada pela letra grega ômega (aquele "O" aberto em baixo com dois "bigodinhos"). Vamos descobrir quem é quem na chave. Começamos pelo lado que tem menos "pernas":

Baixinha ela, não?
Com o multímetro já na escala de resistência, aplicamos uma das pontas de prova em uma das "pernas" da chave e a outra ponta na... outra "perna" da chave.

Testando a continuidade ou existência de contato entre as "pernas"
Vejamos o que o multímetro nos diz:

Indicação de resistência infinita
Ops, esse "I" quer dizer "resistência infinita" ou seja, não passa nada pela chave. Calma, isso não quer dizer que ela esteja estragada. Vamos confirmar se ela está estragada ou não com o próximo teste (dica: faça em duas pessoas, enquanto uma faz a medida a outra segura a chave e faz a manobra necessária):

Teste de continuidade, agora com o botão da chave pressionado
Pressionamos o botão da chave para baixo, neste caso até ouvir-se um "clic", e aplicamos as pontas de prova nos mesmos terminais. Vejamos o que o multímetro nos diz agora:

Indicação de um valor de resistência
1.9? O que é isso? De onde surgiu isso? Calma, o Macagnan explica: vamos olhar na foto onde apresentamos o multímetro. Vimos que ele estava na escala de resistência. A medida de resistência é feita em "Ohms" (lê-se "ôms"), representada pela letra ômega. Aquele 20 indica que, nesta posição, o multímetro pode fazer leituras, com precisão, de até 20 ohms. Bom, temos a indicação de 1.9 no "display", o que quer dizer que temos uma leitura de 1 ohm e 9 décimos. Em um universo ideal, teríamos uma medida de zero ohms, indicando que este lado da chave está funcionando corretamente. Mas neste mundo real, há vários fatores no caminho que alteram essa condição de resistência zero e abordá-los fugiria do foco do assunto. O que importa neste momento é que descobrimos que estas duas "pernas" são dois contatos da chave. Vamos testar o lado das três "pernas"?

Repetindo o teste do outro lado da chave
Testando as duas "pernas" ao lado da "perna" central, obtemos indicação de resistência infinita. Repetimos o teste do botão pressionado e obtemos novamente o mesmo resultado de 1.9 ohms. Jóia! São dois contatos da chave. E se testarmos a "perna" central com uma e depois com outra "perna" lateral? Vejamos:

1, 2, 3, testando...
Hum, deu medida de resistência infinita em qualquer das duas "pernas" externas combinada com a "perna" central. Testando as mesmas combinações com a chave pressionada, também se obteve resistência infinita. Definitivamente, a "perna" central não tem qualquer ligação com as outras "pernas". Onde será que vai esta "perna" central? Analisando visualmente, ela faz parte da capa metálica da chave. Então teoricamente, se colocarmos uma ponta de prova na "perna" central e uma na capa metálica, devemos ter indicação de algum valor de resistência. Vejamos:

Vamos para mais um teste...
Ops, o multímetro deu um valor diferente agora: 2,9 ohms. Por quê?

Valor maior de resistência
Simples. Há mais metal na capa metálica da chave do que entre os contatos, e quanto maior um condutor, maior a sua resistência, sem falar que existem tipos diferentes de materiais condutores (que apresentam maior ou menor resistência à passagem de corrente elétrica).

E se testarmos um contato de cada lado da chave, o que acontecerá? Vamos nos basear nesta foto:

Ela, de novo...
Se colocarmos as pontas de prova na primeira "perna" da esquerda e da direita, teremos a indicação de um valor de resistência, o mesmo acontecendo se colocarmos as pontas de prova nas segundas "pernas". A medida permanece a mesma se pressionarmos o botão da chave. Isso quer dizer que as "pernas" paralelas são, na verdade, o mesmo contato da chave com dois pontos para soldagem. E se testarmos as "pernas" cruzadas (uma de cima com uma de baixo)?
Aí teremos os mesmos resultados dos testes com os contatos do mesmo lado. Muito bem, a chave foi estada exaustivamente e já sabemos como ela funciona. Agora só resta soldá-la e fixá-la à placa.

- Vamos começar  a cirurgia, doutor?
 Retiramos o contato metálico de cima das trilhas da placa. Neste caso, o contato já tinha sido recolocado com fita adesiva no seu lugar, então foi fácil removê-lo. Para os outros contatos que estão presos pelo adesivo original da placa, o Macagnan usou um estilete e recortou o adesivo com cuidado para não cortar nenhuma trilha ao redor do contato até expor toda a trilha (aquela parte redonda com um ponto no meio). A próxima etapa vai requerer muita paciência, mão firme, precisão e delicadeza. Será a preparação para fixação e soldagem das chaves nas placas.

Pontos para soldagem do lado de duas "pernas"
O posicionamento correto da chave será fundamental para que o controle funcione de forma precisa, caso sejam fixadas deslocadas de sua posição o controle pode exigir muito esforço para funcionar, acelerando sua quebra ou nem funcionar se a chave estiver fora de posição. Para isso, antes de soldar a chave vamos colá-la, alinhando o botão com a parte interna dos contatos (aquela "bolinha" dentro do "C" na placa). Mas isso veremos daqui a pouco. Vejamos onde as chaves serão soldadas na placa. Na figura acima, vemos o lado de duas "pernas". Uma delas vai soldada na parte externa da trilha (no "C") e a outra na trilha que termina na parte interna (na "bolinha"). Já no lado de três "pernas" teremos algumas diferenças:

Pontos para soldagem do lado de três "pernas"
Aqui teremos que tomar alguns cuidados. O primeiro é levantar a "perna" do meio para que esta não encoste na trilha. É mais fácil fazer isso com um alicate de bico fino, lembrando sempre de não exagerar na pressão para não danificar a chave. A "perna" que vai ser soldada é a mesma que fica na parte externa da trilha do outro lado da chave (em caso de dúvidas, releia a parte desta postagem onde se faz a identificação das "pernas" da chave). A outra "perna" deve ser levantada, cuidando para não encostar na capa metálica da chave e nem na trilha. Se soldarmos esta "perna", iremos fechar contato permanente entre as duas trilhas (seria como se a chave estivesse sempre pressionada). Faremos este procedimento com todas as chaves, deixando-as prontas para serem coladas e soldadas. Coladas? Não basta a solda? Não, porque o controle frequentemente é submetido a esforços "muito empolgados" (quem já jogou um cartucho chamado "Decathlon" sabe bem o que é ter a placa ou a torre quebrada) e a solda não oferece resistência mecânica suficiente para estes esforços. A única cola que o Macagnan ficou sabendo que era resistente o suficiente era do tipo epóxi dois componentes (Poxi Bond, Araldite...).

Prontas para a soldagem.
 Aqui foi a parte mais delicada e precisa do serviço porque:
  1. As chaves devem ser coladas exatamente no centro da trilha (na "bolinha").
  2. A quantidade de cola não deve ser excessiva para deixar a chave alta demais ou colar as "pernas" antes da soldagem.
  3. Os pontos onde as chaves serão soldadas às trilhas devem ser raspados para retirar qualquer resquício de solda ou sujeira, expondo o metal para melhor aderência da solda.
  4. É recomendado o uso de uma pinça para posicionar e pressionar no lugar certo a chave.
  5. É importante prestar extrema atenção ao posicionamento das "pernas" das chaves para não ligá-las de maneira errada.
  6. O soldador usado para essa tarefa ESTÁ QUENTE e são OS SEUS DEDOS que o manuseiam!
Após a colagem, as placas ficaram com as chaves firmes e prontas para a soldagem. Mas, para garantir que, mesmo com um esforço maior que o esperado, as chaves não se soltem da placa, convém colocar uma quantidade de cola nas laterais das chaves, de onde não saiam as "pernas". Leia com atenção as instruções da embalagem da cola usada quanto ao tempo de secagem total, cuidados com as superfícies e demais detalhes para que a colagem ocorra com sucesso. Veja como ficaram as chaves depois de coladas:

Já devidamente coladas por baixo e pelos lados
Depois de coladas, uma revisão para se certificar que não há cola ou sujeira nos locais onde vamos soldar as chaves na placa e, com o soldador aquecido aplicamos a solda, cobrindo a "perna" e a área que raspamos anteriormente, formando assim um contato elétrico entre a trilha e a "perna" da chave. Aqui temos que tomar cuidado para que um pingo de solda ou uma solda escorrida não coloque em contato uma "perna" com outra ou algum outro curto-circuito indesejável. O resultado final deve ser semelhante a esse:



Acabou? Quase... Vamos nos certificar de que tudo está certo. Como? Contando com a ajuda de nosso amigo multímetro na escala de leitura de resistência. Como fazer? Assim...

Confira se na sua placa, no lado contrário de onde fica o contato do botão, tem seis "dentes" na borda da placa.


Observe que há uma trilha que percorre todos os cinco contatos, no caso da placa acima, a quarta de baixo para cima. Esta trilha geralmente recebe o fio preto, comum a todos os contatos. Pois bem, mantendo-se uma ponta do multímetro fixa nesta trilha e colocando-se a outra ponta em cada uma das outras trilhas, deveremos ter a indicação de resistência infinita:

Indicação de resistência infinita
Caso alguma das trilhas apresente indicação de algum valor de resistência diferente de infinita, acompanhe atentamente o caminho que a trilha faz para detectar algum curto-circuito indevido, alguma chave soldada incorretamente, algum pingo de solda solto sobre a placa. Caso esteja tudo em ordem, soldas corretas e chaves posicionadas corretamente, tente pressionar e soltar a chave soldada na trilha que apresentou problema. Caso a leitura do multímetro não se altere para infinito, é recomendável substituir-se a chave. Caso contrário, atue a chave algumas vezes, variando a pressão sobre ela para verificar se a chave não está com um defeito intermitente. O funcionamento normal é quando todas as chaves apresentam resistência infinita sem receber pressão e apresentam indicação de baixa resistência ao serem pressionadas.

Ufa! É isso! Bem detalhado para não ter erro. Mas dessa vez ainda tem mais um pouco. O Macagnan estava pesquisando sobre as medidas da placa do controle para, se necessário, construir uma em casa. Não achou... Mas como todo brasileiro não desiste, cercou-se dos mais avançados instrumentos de medição (papel, caneta, régua e o óculos...) e foi medindo e desenhando, escrevendo e conferindo. No final, chegou a estas três figuras seguintes:

Medidas externas da placa do controle do Atari 2600
Vale ressaltar que em alguns modelos de placa, aquele recorte retangular de 2,5 cm não existe, a placa é inteiriça. Aqueles seis "dentinhos" são áreas para solda dos fios do cabo do controle. O primeiro de baixo para cima tem 6 (seis) milímetros de largura enquanto que os outros tem 5  (cinco) milímetros e o espaçamento entre eles é de 1 (um) milímetro.

Medidas das furações da placa
Estas são as medidas do centro dos furos existentes na placa. Todas elas foram feitas a partir das bordas da placa. Os furos menores tem diâmetro de 4 (quatro) milímetros e o furo maior, ao centro, tem o diâmetro de 13 (treze) milímetros.

Medidas do centro dos contatos
Estas são as medidas do centro dos contatos centrais tanto do botão quanto do joystick, também feitas a partir das bordas das placas. Pode haver uma pequena margem de erro nas medidas visto os instrumentos utilizados mas, para quem precisar fabricar uma destas em casa, ficam as medidas!

Bom, pessoal, por hoje é só! Até a próxima!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Atari 2600 Parte 2 - O início da diversão

(A postagem é comprida mas vale a pena. O Macagnan jura que sim)...

No capítu... ops, na postagem anterior, o Atari 2600 ganhou uma sessão de fotos e seus minutos de fama mas, era hora de ver se estava tudo bem com a "saúde" dele. O Macagnan não quis ligá-lo por alguns motivos simples:
  1. Não tinha nenhum cartucho para testá-lo;
  2. Não sabia como estava "por dentro";
  3. Não tinha passado a chave seletora de voltagem para 220 volts.
(Dica do Macagnan: Para evitar "explosões" ou disjuntores desarmados, faça o inverso desta lista. Quando for testar um equipamento desconhecido, resista à vontade de ligar logo para ver se funciona: Primeiro verifique se a voltagem do aparelho é compatível com a que você tem nas tomadas ou se o aparelho é bivolt automático. Na dúvida, peça para um eletricista de confiança. Segundo, faça um bom exame visual do aparelho, olhando se não há partes deformadas, o que sugere aquecimento excessivo e possíveis problemas; olhe se não há componentes ou partes internas do aparelho expostas, verifique se a carcaça do aparelho está íntegra na medida do possível, verifique CUIDADOSAMENTE os cabos de alimentação do aparelho se estão íntegros e isolados adequadamente, não ligue nem permita que liguem o aparelho se os cabos estiverem ressecados e duros, com a capa rasgada ou os fios expostos, fios desencapados ou rasgando-se principalmente nas dobras . Se o plugue que vai à tomada for desmontável, verifique se os fios estão bem conectados, apertados e devidamente afastados dentro do plugue para não causar um curto-circuito. Se puder abrir ou desmontar parcialmente o aparelho, verifique as condições internas dele. Caso existam fios soltos, marcas de água ou partes quebradas ou algo de errado, não vacile e encaminhe a um técnico em eletrônica de sua confiança).

Pode parecer assustador, mas é o que o Macagnan faz. Olha muito bem um aparelho novo, se tem manual, tira uns bons minutos para lê-lo. Acredite, só quem já passou pela situação de ligar um aparelho sem tomar os devidos cuidados e depois sentir aquele cheirinho de queimado e fazer aquela cara de "Ih! Fiz m3R#@..." sabe do que se trata.

Já que não vai ser ligado, vamos olhar como está a "saúde" dos controles, uma das partes mais "massacradas" de qualquer videogame. Um deles está "mole", frouxo e o guarda-pó solto; o outro está "duro", difícil de movimentar e o guarda-pó quase solto. Vamos abrir, não há outro meio...

Lembram que na postagem anterior havia uma foto da parte inferior dos controles?

Parte inferior do controle CX-40 para Atari 2600
No controle da direita tem um buraco escuro no meio da parte inferior. Não tem parafuso nenhum ali, só o ponto de apoio da "torre" ou "alma" do controle (mais adiante o Macagnan vai explicar isso). Ao redor tem uns pontos bem clarinhos: são quatro parafusos "Phillips", que prendem a parte inferior, a placa com os contatos e a tampa do controle onde vai presa a "torre" coberta pelo guarda-pó (não se preocupe, tem foto de tudo isso mais adiante). Vamos desmontar:

Desapertam-se os quatro parafusos Phillips e antes de se retirar o último, segura-se o controle para que não se abra inesperadamente e espalhe seja lá o que estiver dentro...
Com o controle em pé, desencaixa-se a tampa com o auxílio de uma chave de fenda encaixada em uma ranhura entre a tampa e as paredes laterais do controle e eis que se abre a "caixa mágica" do Atari:


De novo a câmera não conseguiu foco, ficou desfocada a imagem mas dá pra ver o interior do controle: uma placa de circuito impresso com cinco contatos metálicos e um chicote elétrico com seis fios coloridos. Na tampa, o botão vermelho característico do controle e os acionadores na base da "torre" (aquela peça branca na foto). Simples e funcional! Reparem que na foto os fios deste modelo de placa estão fixos por conectores do tipo "terminal". Como havia um pouco de poeira dentro que não saiu com um pincel, vamos lavar as partes plásticas. Para isso teremos que soltar os fios da placa, o que é fácil. O problema é montar de volta... Apesar deste modelo de placa ter estampado nos pontos de contato a cor correspondente do fio, o jeito foi prender os fios com uma fita ou etiqueta para não perder a sequência e depois numerar os fios e liberar a placa:


Neste ponto o Macagnan pôde identificar um problema que se fazia sentir neste controle: tinha-se a impressão de que o botão e duas posições do controle não funcionavan. O contato do botão estava preso por um pedaço de fita adesiva, o que sugeria manutenção anterior. Removida a fita, uma boa inspeção visual e o mistério foi resolvido! O contato metálico, devido ao uso constante, começou a rachar e perdeu a "elasticidade". Eis o "danadinho" separado na foto a seguir:

De novo a câmera não ajudou mas o contato é aquele "ser" arredondado ao lado da placa. Ao lado dele, o detalhe das trilhas estampadas na placa. Este contato é mais ou menos assim:

A parte cinzenta possui uma leve curvatura para cima e os pontos em branco são estampados em sentido contrário. Os três pontos externos funcionam como uma "suspensão", não deixando fechar contato indevidamente entre as trilhas da placa. Estes pontos devem estar sobre a mesma trilha (aquela maior, arredondada e externa) na hora de serem remontados. O ponto central facilita o contato com a trilha interna (mais fina e terminada em formato de ponto). Estando neste formato, além de realizar o contato elétrico entre as trilhas, este "ser" funciona como uma "mola", empurrando de volta a "torre" para sua posição central. Pois bem, devido ao uso constante, o metal sofre fadiga (expressão que se emprega quando um metal se rompe devido a solicitação ou esforço repetido), "rasga-se " e deixa de retornar completamente à forma inicial, perdendo grande parte da elasticidade sem perder a capacidade de conduzir corrente. Como não havia nenhum outro contato no momento para substituir este e os outros dois que também estavam rachados, mas ainda possível de serem usados, lá se foi de volta para seu lugar, preso com fita adesiva nova:

Nesta placa, debaixo do botão havia uma mola de aço pequena posicionada. O Macagnan não soube dizer se fazia parte do mecanismo original ou se foi adaptada para fazer o botão voltar ao seu lugar depois de pressionado por conta do contato rachado. Infelizmente a foto ficou muito ruim e não deu para publicá-la... Já no outro controle, a placa (à direita) era diferente:


Era uma placa mais clara, com as trilhas mais "arredondadas" e os fios eram soldados nela e não presos por terminais. Esta estava com poeira grudada na cola do plástico que prende os contatos metálicos e na placa. Os fios foram dessoldados e numerados para depois serem ressoldados na sequência certa. O plástico original foi removido. A placa foi lavada com algodão e álcool para retirar a cola e a poeira grudada. Os contatos foram reposicionados um a um e fixados com papel "contact" transparente. Tudo ia bem até aí... até o "contact" decidir que não queria ficar na placa. Fazer o que... O Macagnan tinha que fazer grudar NA MARRA para não perder a placa. O jeito foi apelar para o ferro de passar e uma toalha velha. "Ensanduichando" a placa entre a toalha e usando um ferro de passar roupas, olhando sempre para não deformar os contatos, o "contact" foi devidamente aquecido e resolveu ficar na placa. Como diria o Macagnan: "Passei o ferro na placa"!

Placa do controle 2 do Atari
Resolvido isso, hora de dar um banho nas partes de plástico e borracha. Primeiro removemos a "torre" do controle de dentro do guarda-pó. Basta puxar com firmeza e jeito que não quebra. Às vezes é necessário dar uma torcida para descolar as duas peças. Na foto, a torre já fora do guarda-pó:



A "torre" ou "alma" é esse miolo branco do controle, que vai por dentro do guarda-pó, essa "sanfona" de borracha que também funciona como uma capa protetora da "torre", evitando a entrada de poeira nas partes internas do controle. Neste caso, o guarda-pó estava se soltando da tampa do controle.



Após um pequeno esforço para separar o guarda-pó da tampa do controle: prontos para a limpeza!



Depois de uma noite de molho em água e detergente, hora de limpar as "dobrinhas", retirar a sujeira que não saiu no molho, secar tudo e:



Todo mundo limpinho, bonitinho, esperando uma solução para o caso dos contatos metálicos para serem remontados. Quem sabe até lá os controles ganham uma melhora no visual com um pouquinho de silicone líquido?

Enquanto isso, o console aguarda pacientemente sua vez de ser "examinado". E os fios, numerados, aguardando a hora de voltarem para dentro dos controles. Mas isso fica para o  próximo capítulo, quer dizer, próxima postagem.




Bom, por hoje é só, pessoal! Até a próxima!
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