quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A saideira do Seu Chico

Agora que o primeiro turno já passou, o Seu Chico disse que queria voltar para sua terra natal, que ele já tinha justificado o voto porque estava em outro Estado no dia da eleição. Mas antes de ir, o Seu Chico me contou um "causo" que, segundo ele, foi "o mais esquisito que ele já viu" em sua vida. Era um violão, aparente normal, mas com "algo mais"... Bom, mas vamos deixar o Seu Chico contar o "causo".

Otra veiz u Tião pareceu lá nu sítio du pai cum tar de violão qui ele dizia qui era importado lá das Oropa i qui era um tar de violão qui já vinha cum um tar di um cumpanhamento. É craro qui nóis num querditemo i demo risada! Undié que si viu  um violão cum cumpanhamento? Tudu bem nóis sê da roça mais guinorante nóis num somo! I u Tião jurano qui era verdadi i nóis si ria inté saí água du zóio. Aí u Tião brabeceu! Preguntô si nóis duvidava mêmo qui u violão tinha cumpanhamento. Aí ieu arrespondi qui só querditava si ovissi i intão u Tião dissi qui ia dá a prova. Jeitô u violão in riba da perna isquerda deu umas riscada nas corda i nóis iscutemo uma pancadinha nu violão i uma luizinha bem fraquinha alumiano drento do violão. Nóis fiquemo mais curioso ainda cum aquele violão. Daí o Tião puxô uma moda di viola i nóis fiquemo tudo quieto, iscuitano... I num é que tinha memo o tar do cumpanhamento? U Tião ia tocano a melodia i da caxa du violão si iscuitava umas batida nu ritmo da moda. Dispois qui u Tião cabô di tocá, a tar luizinha apagô i parô as batida. Daí u Zé Linguiça quis vê si era memo verdadi ou lorota du Tião i pidiu imprestado u violão. Nu qui ele pegô, deu uma chacoaiadinha i disse pro Tião qui tinha um trem meio pesado drento do istrumento, i u Tíão dissi qui era a tar da maquininha di cumpanhamento du violão. U Zé Linguiça riscô uma catira naquele violão i num é qui u iscumungado cumpanhava mêmo! Inté us froreio a tar maquininha fazia!
Nissu a mãe veio chamá nóis prá janta i cunvidemo o Tião prá jantá i dispois mostrá u tar violão das Oropa pro pai, prá mãe i prás ermã. Dispois da janta, o pai pegô um litro da marelinha curtida na imburana i cunvidô u Tião prá amostrá u tar violão. Prá incurtá o causo, ficaro umas hora sentado na varanda i nóis tamém,  cantano, iscutano i veno o tar violão. Sei que fiquemo inté a noitona na varanda i cumo u Tião já tava manguaçado u pai pidiu prá ele drumí lá in casa invéis di saí nu mato. Aí intão ieu i u Zé Linguiça si cumbinemo di discubri quar era u segredu du violão. Dispois qui u Tião tinha drumido (nóis sabia qui tinha drumido pruquê u homi roncava mais qui tratô subino barranco), fumo inté na sala ondi tinha ficado o
tar istrumento. U Zé Linguiça acendeu uma lanterninha di pia i oiemo drento prá vê cumo era a tar da maquininha. Cêis num vão querditá nu qui nóis vimo: a tar da maquininha era um sapo qui quano cumeçava tocá u violão, botava a língua prá fora cum um vagalumi preso prá alumiá u iscuro di drento du violão i quano cumeçava a tocá as moda, u sapo batia as pata na madêra du violão pá fazê u cumpanhamento!".
 
Depois de contar este "causo", o Seu Chico olhou para o relógio e disse que estava na hora de ir para a rodoviária... Boa viagem, Seu Chico!

Depois do Seu Chico ter ido embora, fiquei pensando sobre o que poderia ser verdadeiro e o que poderia ser mentira em suas histórias. E para não esquecê-las, lhes contei aqui os "causos" do Seu Chico.

Bom, pessoal, por hoje é so! Até a próxima!

Um comentário:

  1. Olá, passei para dizer que concordo com o comentário que você deixou no meu blog!

    Att,
    @alicekleins

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