quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As pessoas fantásticas

Bom, talvez depois deste o Macagnan demore um pouco mais para postar. Estão ocorrendo algumas mudanças na rotina e ficarei sem acesso à internet por uns tempos. Quem sabe não seja a oportunidade de visitar as postagens mais velhas e deixar seu comentário, a sua opinião? Mas antes de "desaparecer do pedaço por uns tempos", deixo aqui uma postagem da qual só tinha a ideia principal. As palavras que se seguem não foram escolhidas ou premeditadas.

Talvez você ache estranho o título desta postagem. Talvez ao falar de pessoas fantásticas nos venha à mente a imagem de um super-heroi ou algum personagem do cinema ou televisão. E se o Macagnan dissesse que ainda existem pessoas assim, de verdade! Pois acredite, elas existem. São raríssimos exemplares mas ainda existem. Não espere encontrá-las vestidas como super-herois ou com superpoderes. estas pessoas se vestem, vivem e agem como pessoas comuns. Muitas vezes estão do nosso lado. E se você perguntar a elas se são pessoas fantásticas, certamente lhe dirão que não são. Não que seja por falsa modéstia ou humildade encenada mas porque realmente não sabem que são. Em um mundo que estamos tão acostumados a ver o lado negro, ruim e corrompido do ser humano, onde uma promessa feita verbalmente pode ser desfeita sem nenhum remorso e muito bem justificada, onde mesmo compromissos sacramentados em papel e regulamentados por lei podem ser anulados e revertidos com brechas nesta mesma lei ou a toque de caixa, fica difícil acreditar que existam pessoas que acreditem e façam cumprir sua palavra. (Tá em falta gente assim em Brasília). Estamos tão acostumados a vermos em horário nobre (diga-se de passagem certas novelas exibidas por algumas emissoras) a exposição daquilo que nossos pais julgavam ser inadequado para nós como algo banal. Estas pessoas fantásticas certamente sentem-se desconfortadas ao verem estas coisas, pensam nos filhos, sobrinhos vendo as mesmas cenas ("que educação vai se ter assistindo uma coisa destas!" certamente pensarão) e sentem-se impotentes primeiro por serem poucos e depois, a grande massa aceita aquilo como algo normal. Por outro lado, essas pessoas fantásticas são por sua própria natureza generosas, sinceras e leais mas não gostam de serem enganadas ou de se sentirem usadas para algo anti-ético. Nesta hora a pessoa fantástica demonstra seu senso de equilíbrio e justiça defendendo-se e tentando evitar que as pessoas mais próximas sejam vítimas.

Pessoas fantásticas não são obra do acaso, não surgem da noite para o dia. Pessoas fantásticas têm raízes familiares plantadas em valores passados informalmente de geração para geração mas nem todos componentes de uma geração são capazes de incorporar em sua personalidade estes valores. Pessoas fantásticas vêm de famílias fantásticas que aparentam ser tão comuns como a nossa. Muitas vezes estas famílias não tem muito o que oferecer em termos materiais, porém têm em seu seio o maior tesouro que jamais poderá ser roubado: a honestidade, senso de moral e a sabedoria quase que instintiva para lidar com o mundo.

Pessoas fantásticas podem ser, às vezes, difíceis de serem acessadas. De tanto verem o lado mau do mundo, tornam-se precavidas. Mas quando se estabelece uma relação de confiança com uma pessoa fantástica, tem-se um amigo fiel ao nosso lado, pronto a nos estender a mão quando precisarmos e enquanto não se romper esta relação de confiança.

Pensem nisso, descubram as pessoas fantásticas que os cercam e, se o seu coração disser: "Eu quero ser uma pessoa fantástica", saiba que você pode ser uma, desde que realmente queira e esteja preparado para mudar alguns costumes e pensamentos; tornando parte da sua vida o "jeito fantástico de ser". E acima de tudo, tenha paciência e perseverança. Tudo tem um tempo certo para acontecer; mas não faça desta frase uma desculpa para acomodar-se e esperar que tudo aconteça sem a nossa ação.

Bom, pessoal! Por hoje é só. Até a próxima!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A saideira do Seu Chico

Agora que o primeiro turno já passou, o Seu Chico disse que queria voltar para sua terra natal, que ele já tinha justificado o voto porque estava em outro Estado no dia da eleição. Mas antes de ir, o Seu Chico me contou um "causo" que, segundo ele, foi "o mais esquisito que ele já viu" em sua vida. Era um violão, aparente normal, mas com "algo mais"... Bom, mas vamos deixar o Seu Chico contar o "causo".

Otra veiz u Tião pareceu lá nu sítio du pai cum tar de violão qui ele dizia qui era importado lá das Oropa i qui era um tar de violão qui já vinha cum um tar di um cumpanhamento. É craro qui nóis num querditemo i demo risada! Undié que si viu  um violão cum cumpanhamento? Tudu bem nóis sê da roça mais guinorante nóis num somo! I u Tião jurano qui era verdadi i nóis si ria inté saí água du zóio. Aí u Tião brabeceu! Preguntô si nóis duvidava mêmo qui u violão tinha cumpanhamento. Aí ieu arrespondi qui só querditava si ovissi i intão u Tião dissi qui ia dá a prova. Jeitô u violão in riba da perna isquerda deu umas riscada nas corda i nóis iscutemo uma pancadinha nu violão i uma luizinha bem fraquinha alumiano drento do violão. Nóis fiquemo mais curioso ainda cum aquele violão. Daí o Tião puxô uma moda di viola i nóis fiquemo tudo quieto, iscuitano... I num é que tinha memo o tar do cumpanhamento? U Tião ia tocano a melodia i da caxa du violão si iscuitava umas batida nu ritmo da moda. Dispois qui u Tião cabô di tocá, a tar luizinha apagô i parô as batida. Daí u Zé Linguiça quis vê si era memo verdadi ou lorota du Tião i pidiu imprestado u violão. Nu qui ele pegô, deu uma chacoaiadinha i disse pro Tião qui tinha um trem meio pesado drento do istrumento, i u Tíão dissi qui era a tar da maquininha di cumpanhamento du violão. U Zé Linguiça riscô uma catira naquele violão i num é qui u iscumungado cumpanhava mêmo! Inté us froreio a tar maquininha fazia!
Nissu a mãe veio chamá nóis prá janta i cunvidemo o Tião prá jantá i dispois mostrá u tar violão das Oropa pro pai, prá mãe i prás ermã. Dispois da janta, o pai pegô um litro da marelinha curtida na imburana i cunvidô u Tião prá amostrá u tar violão. Prá incurtá o causo, ficaro umas hora sentado na varanda i nóis tamém,  cantano, iscutano i veno o tar violão. Sei que fiquemo inté a noitona na varanda i cumo u Tião já tava manguaçado u pai pidiu prá ele drumí lá in casa invéis di saí nu mato. Aí intão ieu i u Zé Linguiça si cumbinemo di discubri quar era u segredu du violão. Dispois qui u Tião tinha drumido (nóis sabia qui tinha drumido pruquê u homi roncava mais qui tratô subino barranco), fumo inté na sala ondi tinha ficado o
tar istrumento. U Zé Linguiça acendeu uma lanterninha di pia i oiemo drento prá vê cumo era a tar da maquininha. Cêis num vão querditá nu qui nóis vimo: a tar da maquininha era um sapo qui quano cumeçava tocá u violão, botava a língua prá fora cum um vagalumi preso prá alumiá u iscuro di drento du violão i quano cumeçava a tocá as moda, u sapo batia as pata na madêra du violão pá fazê u cumpanhamento!".
 
Depois de contar este "causo", o Seu Chico olhou para o relógio e disse que estava na hora de ir para a rodoviária... Boa viagem, Seu Chico!

Depois do Seu Chico ter ido embora, fiquei pensando sobre o que poderia ser verdadeiro e o que poderia ser mentira em suas histórias. E para não esquecê-las, lhes contei aqui os "causos" do Seu Chico.

Bom, pessoal, por hoje é so! Até a próxima!
Google+