domingo, 19 de setembro de 2010

De volta, e com o Seu Chico

Pois é, passado um mês desde que aquilo aconteceu, o Macagnan está de volta, entupido ainda mais de coisas pra fazer. Devagar vou dando um jeito nelas...

Mas como dizia Nitiren Daishonin, "o inverno nunca tarda em se tornar primavera", recebi do Professor Expedito uma agradável surpresa: este selo abaixo.


E como é regra, pelo que entendi, tem quatro perguntas a serem respondidas quando do recebimento deste selo. Então vamos lá:

1 - Fazer referência a quem me ofertou o selo:

Blog do Profex


2 - Qual o tipo de chá que mais gosta?

Apesar de ser fã de um café "passado no coador", gosto de um chá mate adoçado na medida certa (nem "melado" nem sem açucar).


3 - Quantas colheres de açúcar costumas colocar?

Realmente não sei pois tenho o péssimo hábito de medir no "olhômetro" a quantidade de açúcar que cai do açucareiro.

4 - Indicar 6 blogs:

Moto Turismo RS
Sempre tem algo acontecendo
Curas e vícios
Blog do Tadashi
Meu caderno de poesias
Believe

Tá feito...

Retomando a vida normal, vamos a mais um "causo" do Seu Chico:

"Teim tamém o causo do trem qui passava ali pertim pertim dondi qui nóis morava. Ói, tinha veiz qui dava gosto di vê o trem passano cos vagão imendado um atrais du otro iguarzim lingüiça pindurada no açôgue: um gomim atrais du otro.
Di manhãzinha era bunito di si vê: u sór num tinha nascido ainda e lá vinha essi treim pelos trio sortano aquela nuvi di fumaça i aquela luizona na frente que chegava a alumiá inté os zóio dos tatu drento das toca. I tamém aquele baruião qui fazia as roda di ferro nus trio quano passava. I num era só treim qui passava ali não, das veiz quano os povo das fazenda ia prá cidade eis todo passava por ali, berano os trio invéis di í pela istrada di terra. Ô, mais cada veiz qu eu me alembro disso mi alembro tamém dum causo triste da Ritinha. A Ritinha era uma cabôcra morena, arta, sempre alegre, môça de famía, sempre andô na linha... Esse foi o már dela: um dia u treim pegô Ritinha.
Uma certa veiz era verão, aquelas noite quente que as cigarra cantava e cantava e cantava, os vagalume vuano tudo cas luiz trasêra acesa, nóis tudo e mais u Bóbrão, u Finim i u Quexada tava sentado na varanda, fumano uns paiêro, oiano as  istrela, coçano u dedão du pé, quano de repenti nóis oiemo pru rumo da istrada du treim i vimo uma luiz forti alumiano us mato, uma fumacêra cumpanhano a luiz i um baruio bafado nu meio du mato. Nóis fiquemo incabulado: num passava treim por lá di noiti! Daí as muié qui tava por ali si assustaro i cumeçaro a rezá. A mãe já puxô pá drendicasa a minha ermâ Jupira e a Mariquinha; as fia do vizim,  a Zefinha i a Mazé correro in frente a image di santo lá da sala i começaro a rezá tudu qui sabia achano que era os tar di disco avuador qui tinha vindo prá pegá nóis. Ieu, o Finim i u Zé Linguiça alevantemo pá tentá vê mió mais num deu pá vê nada. Aí u Finim disse pá nóis: - Vamo vê o que qui é esse trem istranho nos trio essa hora? Aí ieu disse qui ia mais antis ia pegá umas coisa prá mode nóis í apreparado. Entrei in casa i peguei minha ispingarda di cano torcido, qui é pra dá tiro di rôsca, uma garrucha i um oitão di cano cumprido quié prá bala num saí da linha e fumo pro meio do mato. Fumo, mais daquele jeito: cada pio di curuja era um ripio qui cumeçava nu finarzim da ispinha i subia inté no cangóti. Di repenti nóis iscutemo uns passo no meio du mato; nóis paremo i fiquemo quieto só iscuitano i us passo chegano perdinóis. Daí nóis iscutemo um bufo (prá quem num sabi u qui é, bufo é um modo chique di dizê que é um pum)  i intão eu discubri quem era: era u primo du Zé Bulacha i mais dois qui vinha tamém vê aqueli troço istranho nus trio du treim i arresumino um poco, quano nóis cheguemo na bera dos trio nóis já era in vinti treis fora uns otro cinquenta qui já tava lá. I nada daquela coisa parecê, i a luiz chegano cada veiz mais perto, i o baruião bafado aumentano divagazim, divagazim... Quano a luiz cumeçô a dobrá a curva da istrada do trem, deu prá vê a sombra dum troço ispichado qui paricia um chifre, dispois um troço ispichado qui parecia uma oreia, i aí u povo si preparô: era uns ingatiano as arma, otros carregano as cartuchêra, uns quize cos facão na mão i inté umas muié cuns purreti di angico na mão. I aquela sombra creceno, creceno, a luiz cada veiz mais perto, a fumacêra subino i aquele baruio qui já chacuaiava os trio du treim. Quano a tar da coisa virô di veiz a curva, nóis viu u qui qui era: era o Tião, agregado do seu Frorêncio qui vinha vortano da cidade sentado in riba dum carro di boi qui tinha perdido us arco da roda i aí us raio ficava pegano nus trio i nus pau qui sigurava us trio i fazia aquele baruio todo. U Tião vinha fumano um paiêro grosso iguar uma tora di calípio i sortano a fumaça pelo canto da boca, qui aquilo subia qui parecia chaminé di maria-fumaça. A tar da luiz era di dois lampião a querosene "invenenado" pá crariá mais (dispois o Tião mi contô u segredo: ele punha duas nafetalina no querosene i além di alumiá mais, ispantava us musquito)
".
Próxima postagem tem o último "causo" do Seu Chico.

Bom, pessoal. Por hoje é só, até a próxima!

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