sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Luto

Ivani Francisco Macagnan
O Blog do Macagnan está de luto... Faleceu sexta-feira passada (20 de agosto de 2010) o pai do Macagnan. Findou-se sua missão, chegou sua hora... Deixou saudades, lembranças de sábios conselhos, gostosas gargalhadas, senso de responsabilidade. Foi pai ao lado de sua companheira e quando esta partiu deste mundo, foi pai e mãe para dois filhos... Jeito simples e direto, foi luz nas horas de tormenta, abrigo nas horas de insegurança. Foi-se... Sua saúde já não era tão boa assim.

E o Macagnan perdeu o chão naquela hora... Foi-se o grande homem, ficou o exemplo. Apagou-se a luz que guiava nas horas de tormenta, já não está mais lá o abrigo que antes existia. Restaram os dois galhos que nasceram desta cepa. Restou a saudade de quem se foi... E o que ficou foi o abraço, o consolo daqueles que estenderam generosamente suas mãos, ofereceram seus ombros e nos ajudaram a iniciar esta caminhada por esta nova estrada.
Pai, descanse! Cuidaremos de tudo, como pude ver que pedias em seu último olhar! E um último abraço, apertado e carinhoso, que não tivemos tempo para lhe dar pessoalmente!



PS.: Talvez o Macagnan demore para postar algo novo no Blog. Perdoem-me pois talvez não tenha inspiração para isso por um tempo...

Obrigado a todos!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Recebendo visitas

Estava me preparando para iniciar esta postagem, já preocupado sobre o que iria escrever quando bateram à porta de casa. Quem será? Não lembro de ninguém que tivesse este costume de chegar à noite avançada para uma visita. Levanto-me e vou à porta. Ao abrí-la, tenho uma surprea agradável: o Seu Chico veio nos visitar...

Pra quem não conhece, o Seu Chico é meu conhecido de tanto, mas tanto tempo que nem me lembro mais. Mineirinho, gente boa, gosta duma cachacinha amarela (pra abrir o apetite antes do amoço, segundo ele), um tutu à mineira, um cigarro de palha e de viver longe da cidade. Seu Chico é analfabeto, não foi à escola para ajuda o pai e a mãe na roça. Seu Chico gosta também de contar um "causo" e hoje não me fiz de rogado, pedi que ele me contasse um. Transcrevo abaixo o "causo" exatamente como ele me disse, com sotaque caipia e tudo:

"Bão, vô contá procêis uns causo do meu cumpadi Zé Linguiça. Eu i u Zé Lingüiça nascemo i si criemo junto. Nóis e a bicharada toda no sítio do meu pai. Das veiz o Zé Lingüiça si sumia de tarde e nóis precurava prá tudo que é lado essi minino e quando nóis ia vê, tava lá no galinheiro. Aí eu dizia prá ele: - Zé Lingüiça o quê qui ocê tá fazeno aqui? e ele dizia qui quiria vê cumé que as galinha fazia pá pô a crara e a gema drento dos ôvo. Coisa ingraçada  o ôvo! Sabe qui inté ieu fiquei curioso agora: cumé qui elas faiz pá pô a gema i a crara nu ovo sem tê uma tampa pá abri i fechá?

Bão, nóis foi creceno i si criemo daquele jeitão di bicho do mato. Quano di fim di semana nóis ia jogá futibór cos vizim era um trem di si vê: nóis tinha um timi qui era um ispetáculo! Era o Bóbrão nu gôr, u Butinin i u Cascaim na defesa, nu meidicampo era u Finim i u Taquara, dispois vinha ieu i u Zé Lingüiça. Tinha veiz qui saia uns jogo di rancá faísca du chão! Dispois nóis ia pra casa prá móde cortá a unha du dedão do pé. Prá ocêis qui num sabe, nóis jogava no meio dus pasto pertim dus boi. Era uns di pé nu chão pisanu nas toicêra di capim, otro di butina furada sapatiano nu barro, das vêiz nóis amirava pá chutá a bola i chutava umas preda nu chão, otras veiz quanu acertava u chuti a bola ia lá tráis duma moita di ranhagato. Aí cumeçava u pobrema: quem ia buscá a bola?

Daí nóis crecemu mais e fiquemo moço. Subemo que perto di nóis tinha uma tar de cidade. I nois só cunhicia essa tar di cidade pelo qui os mais véio dizia quando vortava cas compra qui ia fazê nu fim du mêis. I pá í pá cidade era duas hora di carroça. Um dia, ieu, u Zé Lingüiça i mais uns cinco seis vizim inventemo de í cunhecê a tar cidade. Tomemo aquele banhão mais sabe aquele banhão di lavá inté atrais da oreia? Pois é, dispois du banho, vistimo as mió rôpa qui tinha. Óia só: as carça di linho preta riscada di branco qui u pai usô nu casamento, uma camisa vermeia xadreizada di cinza, uma cinta qui eu peguei imprestada du meu tiu - só procêis imaginá, a mêma cinta u meu tiu usava pra marrá nus trator prá dirrubá arve nu mato, qué dizê, num tinha pirigu di rebentá i mi caí as carça nu mei da cidadi mais prá jeitá a cinta toda ieu tinha di dá umas treis quatro vorta in roda da carça. Carçei as meia di í na missa e in riba delas uma butinona jeitada qui eu nem tinha istreiado ainda. Pidi imprestado pru pai um tar di prefumi, um trem fedorento qui cherava bem i prá firmá us cabelo, passei nu tanqui i passei um poquim di sabão. Mais daquele sabão feito in casa, qui aquilo firma o cabelo que é uma beleza dispois dirruba que é uma tristeza. Pá ivitá aquele catingão dibaxo du subaco fui precurá o tarco. Num é qui tinha cabado? I cumé qui eu ia lá no meio dos povo tudo chique da cidade sem um tarco? I si u trem cumeçasse a fedê? Cumo num tinha otro ricurso, carquei farinha dibaxo du subaco! Ói, cêis num sabe u quanto mi rependi di tê feito isso! Eu vô diantá o causo prá mode ficá mais devertido mais dispois eu vorto. Sei que mi rependi di tê passado farinha dibaxo do subaco pruquê quano cheguei in casa já tava cum duas broa dibaxo do braço: já sovada i sargada!

Bão, daí foi só isperá na portêra a carroça cus vizim i fumo prá cidade. Agora, ocês imagina qui viage nóis feiz: duas hora in cima duma carroça chacoaiano pra lá i pra cá, us musquito
pegano, u sórzão bateno na cara! Daí a poco o Garrincha que tava guiano a carroça cendeu um paiêro daqueis fedorento qui nem musquito guentava. Bão, in dois minuto nem mosca rudiava us boi. Aquele paiêro sortava tanta fumaça qui quem oiasse di fora do mato jurava qui tava passano uma maria-fumaça ali no meio. Infim cheguemo dispois di duas hora na tar cidade: qui trem grandi qui era! Aí nóis apeiemo da carroça i fumo caminhano, oiano as coisa por lá i di tão distraído qui nóis tava num vimo qui o Bóbrão tinha ficado pá tráis. Oiemo di vorta i vimo o Bóbrão parado in frenti uma casa falando cum uma dona istranha. Gritemo ele i ele veio daí a poco preguntano purque nóis tinha chamado ele. Ieu dissi: - Ô Bóbrão, qui qui a dona quiria? Aí ele arrespondeu qui a dona tava falano umas coisa bunita prá ele, tale coisa i coisetale, prumeteno umas coisa diferente... Aí ieu dissi: -Bóbrão dexa di sê trôxa, aquela dona é mais pobre que aquele ômi qui mora lá tráis do paió! Ai ele preguntô cumé que eu sabia que aquela dona era pobre i eu arrespondi: - Bóbrão, é só oiá pra ela i vê! Cê num viu qui ela tava só cas rôpa di baxo? A dona é tão pobre qui num tem dinhero nem pra cumprá rôpa! I as lúiz da casa dela tá tão fraca qui nem é marela mais, já tá é vermeia! Aí uns ano dispois nóis fiquemo sabeno qui ali era a tar da "Aligria da Cidade".

Só sei que o Seu Chico ficou mais um tempão aqui e depois foi para casa mas antes contou mais dois "causos" que ficam para próximas postagens.

Bom, pessoal. Por hoje é só! Até a próxima! Comentem se gostaram ou não, se devo postar os outros dois casos ou não!

sábado, 14 de agosto de 2010

Na casa do colono tem...

Faz tempo que estava procurando este texto, bem ao estilo do interior do Rio Grande do Sul. Um belo dia, eis que aparece no meu e-mail! Inclusive os supostos erros de português são propositais (são para criar o efeito do sotaque "talian"):

NA CASA DO COLONO TEM:
  • Tem coltrina ao invés de porta;
  • Tem um pijáme bom pra no causo de baxá hospital e uma ropa bonita pra ir na missa;
  • Chinela Havaiana com a tira arrebentada e com um preguinho debaixo;
  • Tem umas perna de salame dependurado no poron;
  • Filho de colono tem sempre o nome importado tipo: Vádson, Adnosvaldo ou simplismente o apelido de Nêne;
  • Tem o calendário 'Santo Antônio' na parede da sala;
  • Tem sempre um pé de gavirova na frente da casa, pena que é tudo bichada, mais o dono sempre come. Diz que o que não mata ingorda;
  • Tem uma mesa comprida, com gaveta e o baralho ensebado drento;
  • Tem o canivete em forma de foice pro fumo, a BRITOLETTA;
  • Tem umas lata no alto do balcão da cozinha com farinha, arroiz, erva, açucre... aquelas que os nêne sentam em cima pra fica no tamanho da mesa;
  • Tem roupa secando no tampo e nos ferrinho do fogão à lenha, aceso o ano intero e com a chalera que nunca sai de cima;
  • Tem no porão um saco de ráfia pendurado, com um monte de otros saco de ráfia drento;
  • Tem patente ou tem banheiro, mas é do lado de fora;
  • Na patente tem sabugo, revista velha ou jornal no lugar do papel higiênico;
  • Tem os remédio pra berne e sarna dos bicho em cima da geladera;
  • Tem uns pé de bergamota, lima ou laranja do céu do lado da casa, onde que os cusco ficam deitado o dia inteiro!!!
  • Tem umas par de garrafa de refri 2L com vinho ou cachaça drento, umas de butiá, otras de mato que faz bem pros rim;
  • Tem a varinha atrás da porta pra tocá os gato pra fora;
  • Tem telefone com antena externa e uma bateria de caminhão;
  • Tem um sabugo de milho enrolado com um pano pra trancá a água do tanque;
  • Tem compota e as chimia de tudo os tipo em cima do balcão;
  • Tem meia dúzia de galinha ponhedera solta no pátio que vão virar brodo qualquer dia;
  • Tem as toalhas de mesa floreadas pra usar quando vem os parente ou as visita;
  • Tem aquele fusca 75 estacionado na garagem;
  • Tem casca de laranja pendurada atrás do fogão a lenha pra fazê chá;
  • Tem pedaço de chinela havaiana pra fazer a porta para de bater;
  • Tem batata doce e amendoim assando no fogão a lenha;
  • Tem pôster do Grêmio ou do Inter campeão. Bemmmm de antigamente.
  • Tem ratoeira armada em tudos cantos da casa;
  • Tem o tanque de concreto que os nêne toma banho nos dia quente com a água que a nona lavô a ropa, com o sabão de soda, claro;
  • Tem umas vaca de leite que vão carniá quando fica gorda;
  • Tem os taro de leite tudo batido de caí de cima do toco da estrevaria;
  • Tem o quadro dos bisa, quando eram novo, na parede da sala;
  • Tem o espelhinho laranja no banheiro e o estrado de madeira pra tomá banho, onde que cai o sabão e você não consegue pegar;
  • Tem aquelas flor de plástico que põe água com açucre pro beija-flor í tomá;
  • Tem o loro falando com a nona e que reza o pai nosso intero, de cor e salteado;
  • Tem pão sovado, salame, chimia e sagu pra comer, sempre;
  • Tem toalha de crochê enfeitando a mesa da cozinha;
  • Tem uma vassoura de galho pra varrer o pátio, escorada numa árvore;
  • Tem um guaipeca bernento chamado toque, no terrero da casa acuando pros carro que passa na estrada;
  • Tem a foto do papa na parede. Tirada da revista Manchete de 1981.
  • Na roça tem sempre a pessoa que quando dá uma trovejada de chuva, a pessoa diz que São Pedro ta jogando boliche no céu.
  • Os móveis são azul, vermelho ou bege;
  •  As paredes da casa são pintadas com cal misturado com alguma cor bonita como rosa, azulzinho fraca etc;
  • Tem os queijo secando na tábua pregada do lado de fora da janela;
  • Tem sempre uns garrafón de vinho guardado dentro da dispensa;
  • Só não tem chave na porta da frente, a outra é com tramela;
  • Tem a "estiópa" pindurada na varanda ou atrás da porta do banheiro que o nono usava pra matá os passarinho.
 Para quem não entendeu muita coisa, vai um breve dicionário "talian"-português:

  • Coltrina = cortina
  • Pijáme = pijama
  • Baxá hospital = internar no hospital
  • Perna de salame = peça de salame
  • Poron = porão
  • Nêne = apelido genérico de filho
  • Gavirova = guabiroba
  • Arroiz = arroz
  • Açucre = açúcar
  • Saco de ráfia = saco de fios de plástico trançados
  • Patente = banheiro rústico externo
  • Berne = parasita que se aloja sob a pele do hospedeiro causando coçeira e inchaço no local onde se desenvolve.
  • Sarna = doença causada por ácaros que atacam a pelagem, causando sua queda e escamação da pele
  • Bergamota = tangerina
  • Cusco = cachorro
  • Butiá = fruto de uma espécie de palmeira chamada butiazeiro (Butia capitata)
  • Trancá = prender, trancar, impedir, colocar obstáculo
  • Chimia = doce pastoso, feito geralmente à base de frutas
  • Ponhedera = galinha poedeira (para produção de ovos, não destinada ao abate)
  • Brodo = Espécie de caldo, próprio para ser bebido quente ou servir de acompanhamento para pão, feito com partes de galinha fervidas em bastante água e sal
  • Carniá = carnear, abater
  • Taro = Recipiente metálico utlizado para armazenamento temporário do leite ordenhado
  • Estrevaria = estrebaria, estábulo
  • Nona = avó (nôno = avô)
  • Bisa = bisavó (biso = bisavô)
  • Í = ir
  • Loro = papagaio, condimento chamado "louro"
  • Guaipeca = cachorro de pequeno porte
  • Acuando = acoando, latindo
  • Garrafón = garrafão
  • "Estiópa" = (do italiano schioppa) espingarda
Agora ficou mais fácil, não?

Bom, pessoal. Por hoje é só! Até a próxima!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um cão chamado Fé...

Recebi esta semana um e-mail que, em princípio não me despertou muito interesse. Pelo nome, achei que era uma daquelas historinhas que rodam a Internet a torto e a direito. Porém a curiosidade me fez olhar melhor e achei algo muito interessante e digno de ser publicado e repassado. As fotos foram reproduzidas como vieram para mim, apenas duas ou três não puderam ser reutilizadas.

O texto original diz que Faith (nome do cachorro, que significa Fé em inglês) nasceu na véspera de Natal de 2002. Faith tinha apenas três patas e uma delas (a da frente) era anormal e teve de ser amputada.



Devido a essa situação, Faith não podia andar. Foi rejeitado pela própria mãe e seu primeiro dono também não acreditou que ele pudesse sobreviver e chegou a pensar em eliminá-lo.
E eis que surgiu Jude Stringfellow, sua atual "dona". Ela quis cuidar de Faith e o assumiu como era.



Jude acreditava que Faith poderia superar esta deficiência e estava determinada a ensiná-lo a andar por si só, e que só precisava de fé. Por isso, adotou o nome do cachorro de Faith.



"No começo, colocava Faith numa prancha de surf para que ele sentisse os movimentos da água. Mais tarde lhe dava pasta de amendoim, numa colher, como um prêmio e recompensa por ter ficado ereto e saltar pela casa".


Surpreendendo a todos, Faith teve o incentivo dos outros cachoros da casa e após seis meses começou a se equilibrar nas patas traseiras e a saltar para se mover para a frente. Depois de um tempo treinando na neve, ele pôde caminhar como um ser humano.


Não importa onde vá, Faith é sempre uma atração!




 Segundo o e-mail, Jude deixou a carreira de professora para se dedicar a Faith. Levou-o ao redor do mundo para que quem quisesse vê-lo.



Faith não teve outra escolha além de aprender um novo jeito de superar suas dificuldades.



Às vezes reclamamos de certas coisas que, na verdade, não são nada perto do que outros enfrentam...


E, certamente por onde passa, Faith deixa uma legião de curiosos e admiradores.




Esse é Faith, o cão que sobreviveu graças ao seu esforço e à fé de Jude...



Bom, pessoal, por hoje é só! Até a próxima!
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