sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Haiti e o Vale do Taquari

O que tem a ver Haiti com o Vale do Taquari? Quase nada...

De acordo com a Wikipedia, Haiti, cuja capital é Porto Príncipe, "é um país das Caraíbas que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola (ou Ilha de São Domingos)". Mais adiante, sobre a geografia do Haiti, a Wikipedia cita: "O Haiti encontra-se na placa Caribenha, que possui, relativamente, um pequeno tamanho quando comparadas as placas Sul-americana e Norte Americana. Estas "comprimem" a placa Caribenha e faz com que a região do Haiti se torne instável e propensa a terremotos. A incidência de falhas é o fator agravante, uma vez que um simples movimento para cima ou para baixo faça com que os tremores sísmicos gerem uma grande catástrofe".

Já o Vale do Taquari é definido como uma região que "abrange 37 municípios da região central do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, com população formada por etnias de origem alemã, italiana e açoriana. Muitos dos municípios foram emancipados a partir de 1959, mas Lajeado, Estrela e Encantado foram emancipadas no século XIX, e Taquari, o mais antigo, em 1849". Não se tem conhecimento de que o Vale do Taquari esteja situado sobre alguma falha geológica, portanto as chances de ocorrência de terremoto são ínfimas.

Já faz um mês que aconteceu e ainda se vê na mídia notícias e mais notícias a respeito da tragédia haitiana. Foram disponibilizadas contas bancárias para arrecadar fundos, o Governo Federal liberou em pouco tempo, segundo o jornal O Estado de São Paulo QUINZE MILHÕES DE DÓLARES a título de ajuda emergencial. Realmente foi um acontecimento de tal forma que apenas quem pôde sentir na pele sabe o quanto é terrível. O site UOL publicou uma série de fotografias do Haiti pós-tragédia.

Bem, em quatro de janeiro deste ano, o Vale do Taquari também foi palco de uma tragédia. Não foi terremoto, mas sim enchente. O rio Forqueta, que corta várias cidades do Vale do Taquari teve seu volume de água aumentado assustadoramente. Em uma cidade chamada Marques de Souza, a força das águas foi tamanha que literalmente quase varreu a cidade. Abaixo, algumas fotos feitas por Valmir Madke:
 Esta primeira foto nos dá uma ideia de quanto o rio  Forqueta teve aumentado o seu volume normal de água. O Macagnan calcula (de "zoiômetro") que o volume de água triplicou. 

Já a segunda foto nos dá uma ideia de como ficaram as casas dos moradores da cidade (as menos atingidas). Houve casos de casas, construções, pontes que simplesmente foram arrancados de seus lugares como se fossem brinquedos de criança. Arvores foram quebradas e arrancadas aparentemente sem muito esforço pelas águas do rio Forqueta.

A terceira foto nos ilustra bem a força das águas. 

A quarta foto nos mostra que nem o cemitério escapou da ação da cheia. Túmulos foram arrancados do chão como se pode ver ao fundo à direita. Foi noticiado pela imprensa local e regional que haviam caixões fora dos túmulos, tornando quase impossível o trabalho de retornar posteriormente os mesmos às suas devidas sepulturas.

Enfim, uma tragédia de proporções menores mas com o mesmo impacto social  que o Haiti. E a ajuda para estas pessoas?

Veja o que disseram as reportagens do Diário Gaúcho, Gazeta do Sul, do site Região dos Vales entre outros. Reparem que a ajuda às famílias veio das cidades vizinhas. E a ajuda do Governo Federal, aquele mesmo que destinou quinze milhões de dólares para o Haiti? Políticos vieram visitar a cidade para "tomar conhecimento da extensão da tragédia" como diriam... E parece que ficou por isso mesmo... O Estado fez o que pôde através da atuação da Defesa Civil neste caso.

E então, caro leitor, chegamos ao seguinte questionamento: Será que para o Governo Federal os haitianos são mais brasileiros que os próprios basileiros? Não, a questão é puramente de exposição na mídia. O ocorrido no Haiti circulou o mundo inteiro através da mídia falada, visual e escrita. Ora, quem se envolver com isto será noticiado pelo mundo inteiro, enquanto que no Vale do Taquari somente alguns mil brasileiros e a imprensa local, talvez alguns representantes dos maiores veículos de comunicação noticiarão o feito. Me digam, onde vale mais a pena investir, sob o manto de frases como "ajuda humanitária" e outras do mesmo tipo?

Aplaudo aqui, isso sim com muito orgulho, a assistência prestada pelas autoridades e munícipes vizinhos de Marques de Souza, atitude essa devidamente comprovada pela imprensa em suas reportagens citadas anteriormente.

Este vídeo no Youtube é que me motivou a escrever sobre isso, hoje:





Bem, por hoje é só, e até a próxima, pessoal!

(O Macagnan agradece a Valmir Madke pelas fotos publicadas no site Você aí!, ao internauta Gilberto pelo vídeo disponibilizado, jornais O Estado de São Paulo, Diário Gaúcho, Gazeta do Sul, aos sites Região dos Vales,Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, UOL e Wikipedia pelos materiais que serviram de base para esta postagem)

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