sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CD Player caseiro DIY - parte 1

Terminou o Carnaval, chega de bagunça, de não ter o que assistir na TV. Voltei a curtir alguns velhos hábitos, como por exemplo o de ficar sentado na porta de casa quieto, olhando para frente... Pena que minha esposa ache que quando isso acontece eu estou com problemas. Tá certo, às vezes a gente tem problemas e precisa ficar um pouco em paz pra pensar ou então ficar em silêncio pro cérebro funcionar. Voltei a ouvir uma web rádio de Montecarlo que tem muito a ver com o meu gosto musical: RMC 80.  Ultimamente tenho visitado sites de DIY (Di It Yourself ou seja, Faça Você Mesmo) como por exemplo o Instructables, o Pakéquis - Gambiarras do Voyage e outros que agora não me lembro, pra matar aquela curiosidade de ver como as coisas são por dentro, de juntar uma coisa com outra pra ver o que acontece...

De tanto ver esses sites, me animei a publicar aqui, em partes, a construção de um toca-CDs feito com materiais de informática que estavam fadados a virar "sucata" ou "enchimento de saco de lixo" aqui em casa. Só não darei sugestão da "caixa" onde montar, aí fica da criatividade de cada um. Quem quiser, pode postar aqui ou nas próximas postagens suas impressões sobre sua montagem. Bom, vamos começar do começo...

Vamos precisar dos seguintes materiais neste primeiro passo:

uma fonte de computador
cabinho paralelo com um plugue (pino) para ligar em tomadas normais (este item é opcional)
um ventilador (cooler) grande
dois leds
um resistor de 180 ohms (faixas marrom, cinza, marrom)
um resistor de 560 ohms (faixas verde, azul, marrom)
uma chave liga-desliga dois polos, duas posições
ferramentas
soldador
solda
fita isolante.

Tudo começa com uma fonte de computador modelo ATX que tinha parado aqui. Nada impede que se use um modelo AT, mais antigo, porém você terá que manter a sequência dos fios que vão à chave liga-desliga da fonte AT. Na foto abaixo, a fonte ATX já sem a tampa superior:

Talvez você queira manter a fonte em sua caixa metálica original. Eu já a retirei totalmente da caixa, ficando a placa, o ventilador com os parafusos, a chave seletora de voltagem, a tomada (essa eu tive que dessoldar os fios para retirá-la). Esta fonte da foto possui uma chave liga-desliga que funciona como chave-geral. Se a sua fonte tiver uma, mantenha-a. A fonte que eu usei não tinha esta chave. Depois, durante a montagem, vamos acrescentar a este conjunto mais um ventilador.

E agora? Temos uma fonte fora do computador e um monte de fios. Que faremos? Somos tentados a ligar a fonte para ver se funciona. Fica aqui uma dica muito importante: JAMAIS, repito JAMAIS ligue uma fonte de alimentação sem antes verificar a sua voltagem de entrada. Geralmente as fontes vêm com a voltagem selecionada em 110 volts (às vezes vem escrito "115 V"). Verifique isso ANTES de ligar a fonte. Voltagem certa, ligamos a fonte e se for uma fonte AT, deverá ligar a menos que esteja queimada ou com defeito. Observe se o ventilador da fonte liga para tirar a dúvida. Se a fonte for ATX, não vai ligar mesmo... Calma, a sua fonte ATX não está queimada, em princípio. É que ela tem um sistema eletrônico interno que a faz ligar; enquanto este sistema não entra em ação ela fica em standby. E agora? Quando ela estava no computador era só apertar o botão de ligar que a fonte funcionava. Mas não há nenhum botão na fonte para ligá-la? Como ligar? Não é tão difícil assim, esta dica está bem documentada na Internet mas convém pesquisar um pouco antes sobre o modelo de fonte que está sendo usada. A dica a seguir funcionará com a maioria das fontes que utilizam o conector padrão ATX. Em caso de dúvida, pergunte a um técnico de informática de sua confiança. Veja a figura abaixo: ela representa o conector ATX:

Repare que na segunda coluna de conexões há um contato denominado "PS_ON" onde parte um fio de cor geralmente verde. Este fio transmite um sinal elétrico para a placa mãe do computador, que então aciona totalmente a fonte. Ao lado deste, vemos um fio de cor preta denominado "GND". Este fio é o equivalente ao "negativo" em um circuito eletrônico. Para ligar a fonte ATX, basta fecharmos um curto-circuito entre estes dois contatos (PS_ON e GND) com um pedacinho de fio ou, se não houver outro recurso, um clipe de papel ou um pedaço de arame. Em alguns modelos de fonte (alguns modelos de fontes Dell e Compaq) a posição dos contatos pode ser diferente, por isso frisei o fato de pesquisar sobre a fonte antes.

Como são esses os dois fios mais importantes deste conector, eu os cortei próximos ao plástico. Os demais fios, cortei-os RENTE á placa da fonte para reduzir o congestionamento de fios. E para manter a fonte ligada uma opção seria emendar um fio no outro. Pode ser conveniente mas não recomendo que se faça isso porque toda vez que se conectaria a fonte à tomada , ela ligaria, ligando o resto dos equipamentos. Eu optei por soldar estes dois fios a uma chave liga-desliga de dois polos, duas posições como esta na foto. Uma dica é deixar para soldar a chave depois que ela esteja fixa à caixa onde ficará o nosso aparelho.

O próximo passo não é necessário mas como tinha dois leds de um gabinete que ia para o lixo, resolvi aproveitá-los para monitorar as linhas de 5 e 12 volts.
Leds (Light Emitting Diodes ou Diodos Emissores de Luz) são, a grosso modo, pequenas "lâmpadas" de estado sólido, sem filamento, que trabalham com baixa voltagem e corrente contínua. Os resistores são soldados em série com um terminal chamado ânodo (+) e têm a finalidade de reduzir a voltagem para não ocorrer a queima do Led. Iremos soldar o resistor de 560 ohms ao Led que ficará ligado na linha de 12 volts e o resistor de 180 ohms no led que ficará na linha de 5 volts. Em caso de dúvida veja na figura a pinagem de um led. E de onde iremos tirar estes 5 e 12 volts?

Bom, depois de eliminado o conector ATX, nos sobraram aqueles conectores que ligam o disco rígido, o drive de CD, alguns modelos de ventiladores (coolers). Estes conectores são conhecidos por conectores Molex e levam aos equipamentos onde se conectam, 12 volts e 5 volts e também dois "GND". Veja na foto que esses conectores possuem fios coloridos: dois pretos ("GND"), um vermelho (5 volts) e um amarelo (12 volts). Você provavelmente irá encontrar outro conector menor e mais chato que liga o drive de disquete (conector Berg). Como não iremos utilizá-lo, podemos cortar os fios rente ao plástico. Aqui então soldaremos os Leds que havíamos preparado. Ligamos o Led com o resistor de 560 ohms na linha de 12 volts (fio amarelo soldado no resistor, fio preto soldado no outro terminal do Led). Não esqueça de isolar cada terminal do Led individualmente e depois encapar com fita isolante os terminais para dar mais rigidez mecânica ao conjunto). O Led com o resistor de 180 ohms vai ligado à linha de 5 volts (fio vermelho soldado no resistor, fio preto no outro terminal do Led), devidamente isolado e protegido como o outro.

Sobrou apenas o ventilador extra para ser instalado. Vamos ao passo-a-passo:
Reparou que, quando abrimos a fonte havia um ventilador dentro dela que puxava para fora o ar quente? Pois quando formos montar o nosso aparelho na caixa, este ventilador deve ser posicionado de forma a sugar o ar quente da fonte. Observe que este ventilador foi instalado em uma determinada posição (geralmente uma etiqueta com o nome do fabricante e as especificações do ventilador fica virada para o lado de fora da fonte). O ventilador adicional será instalado no lado oposto do primeiro e ficará em posição invertida (etiqueta para dentro do equipamento), de forma a captar o ar frio do ambiente e jogar sobre a fonte. Veja na imagem a etiqueta. No cooler da imagem aparecem três fios: preto, vermelho e amarelo. Os fios preto e vermelho são a alimentação (verifique na etiqueta mas geralmente é de 12 volts). O fio amarelo é usado pela placa-mãe para controle da rotação do ventilador. Se conseguir, solde os fios junto aos fios do ventilador original da fonte, obedecendo às cores dos fios. Se os fios forem curtos, solde e isole mais dois fios no tamanho necessário.

Lembra da tomada atrás da fonte? Aquela que precisou ser dessoldada para sair da caixa (isso só vale para quem optou por remover a fonte da caixa)? Como eu pretendia usar o toca-CDs em tomadas comuns, consegui um pedaço de cabo paralelo (de preferência da bitola 2,5mm) e um plugue (pino) para tomada comum (na época ainda não estava em vigor o padrão brasileiro). Dentro da fonte há dois fios que são soldados a cada um dos pinos chatos da tomada. Cada fio que estava em um pino chato foi dessoldado e ressoldado em um dos fios do cabo e a solda foi devidamente isolada com fita isolante, assim como os fios que estavam no outro pino chato. O fio que ia ao pino terra (o único fora de alinhamento) tinha um terminal que fazia contato com uma área cobreada da fonte e com a caixa metálica da fonte. Como não havia esta opção no plugue, deixei o terminal em contato com a placa da fonte mas não liguei a um fio terra. Agora, com o padrão brasileiro, o fio terra deve ser ligado ao terminal do meio do plugue conforme visto na foto. Lembro aqui que é importante existir o aterramento por uma questão de segurança: se ocorrer algum curto-circuito na fonte, o fio terra poderá desviar a energia para o sistema de aterramento, evitando que o usuário leve um "choque".

Se você parar por aqui, já vai ter uma fonte de alimentação independente para usar para alimentar aparelhos eletrônicos de baixo consumo de energia. No próximo post vamos preparar a caixinha de som (aquela malvada que só funciona em 110 volts).

O Macagnan lembra que não se responsabiliza por estouros, danos, fumaças decorrentes desta experiência. Para mim funcionou e o aparelho continua funcionando até hoje. O Macagnan recomenda ainda que: "EM CASO DE DÚVIDA, CONSULTE UM TÉCNICO DE SUA CONFIANÇA" e "SEMPRE ISOLE TODA E QUALQUER CONEXÃO QUE SERÁ OU PODERÁ SER ENERGIZADA".

É isso aí, pessoal! Até a próxima!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Carnaval virtual

Ôba, lá se foi mais um carnaval! Deu pra perceber que não sou muito fã dessa festa popular brasileira mas o Macagnan não foi sempre assim. Quando criança adorava pular carnaval nos salões, ajuntar e jogar confete do chão, formar cordões com os amigos e amigas. Tempinho bom... Agora o Macagnan geralmente trabalha na época de carnaval e esse ano, pra ajudar, choveu pacas. Aí nem o próprio nem a senhora Macagnan puderam sair por aí (que chatice...).
 Daí o jeito foi apelar pro PinPix, né... Depois de feito o vídeo, fiquei pensando: "Será que tô gordinho como o Rei Momo?". Hehehe... será que começo um regiminho? Blá, passar vontade de comer... não, não sou masoquista.




Mas o carnaval já não é mais o que na minha opinião era para ser. Anualmente diminui o número de fantasiados, aumenta o número de "quase pelados". Máscaras, são poucos os que se veem usando. Na TV mesmo, mostra-se por exemplo, integrantes de escola de samba com os seios expostos, ou com os tais "tapa-sexo" cada vez tapando menos. Será que eu estou preso a um saudosismo inocente ou o clima de "oba-oba, agora pode tudo" está se espalhando?Já pensaram nas crianças? Elas, queira ou não estão expostas a isso. Felizmente, creio eu, ainda existem alguns lugares onde se pode curtir o carnaval com mais decência. O difícil é conseguir o endereço, mas que ainda existe, eu acredito que sim.

Pra compensar, o mano veio de moto visitar a família. Saiu de Gravataí (RS) com sol e chegou aqui com chuva numa CG 150. É, parece que esse ramo dos Macagnan foi contaminado pelo vírus do motociclismo... Tõ devendo pra ele um passeio com o pessoal que faz mototurismo. Um dia eu vou, deixa eu conseguir uma moto boa, grande e confortável.

Já não se fala tanto sobre o Haiti mas a ajuda para o Vale do Taquari, que é bom, até agora... É bem provável que a ajuda do Governo Federal chegue bem depois do carnaval. Enquanto isso as vítimas desta catástrofe têm que se virar, porque promessas e carnaval não matam a fome, não compram remédio, não dão conforto nem esperança. E viva a ajuda humanitária para o Haiti!

Bom, pessoal, por hoje é só. Até o próximo

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Haiti e o Vale do Taquari

O que tem a ver Haiti com o Vale do Taquari? Quase nada...

De acordo com a Wikipedia, Haiti, cuja capital é Porto Príncipe, "é um país das Caraíbas que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola (ou Ilha de São Domingos)". Mais adiante, sobre a geografia do Haiti, a Wikipedia cita: "O Haiti encontra-se na placa Caribenha, que possui, relativamente, um pequeno tamanho quando comparadas as placas Sul-americana e Norte Americana. Estas "comprimem" a placa Caribenha e faz com que a região do Haiti se torne instável e propensa a terremotos. A incidência de falhas é o fator agravante, uma vez que um simples movimento para cima ou para baixo faça com que os tremores sísmicos gerem uma grande catástrofe".

Já o Vale do Taquari é definido como uma região que "abrange 37 municípios da região central do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, com população formada por etnias de origem alemã, italiana e açoriana. Muitos dos municípios foram emancipados a partir de 1959, mas Lajeado, Estrela e Encantado foram emancipadas no século XIX, e Taquari, o mais antigo, em 1849". Não se tem conhecimento de que o Vale do Taquari esteja situado sobre alguma falha geológica, portanto as chances de ocorrência de terremoto são ínfimas.

Já faz um mês que aconteceu e ainda se vê na mídia notícias e mais notícias a respeito da tragédia haitiana. Foram disponibilizadas contas bancárias para arrecadar fundos, o Governo Federal liberou em pouco tempo, segundo o jornal O Estado de São Paulo QUINZE MILHÕES DE DÓLARES a título de ajuda emergencial. Realmente foi um acontecimento de tal forma que apenas quem pôde sentir na pele sabe o quanto é terrível. O site UOL publicou uma série de fotografias do Haiti pós-tragédia.

Bem, em quatro de janeiro deste ano, o Vale do Taquari também foi palco de uma tragédia. Não foi terremoto, mas sim enchente. O rio Forqueta, que corta várias cidades do Vale do Taquari teve seu volume de água aumentado assustadoramente. Em uma cidade chamada Marques de Souza, a força das águas foi tamanha que literalmente quase varreu a cidade. Abaixo, algumas fotos feitas por Valmir Madke:
 Esta primeira foto nos dá uma ideia de quanto o rio  Forqueta teve aumentado o seu volume normal de água. O Macagnan calcula (de "zoiômetro") que o volume de água triplicou. 

Já a segunda foto nos dá uma ideia de como ficaram as casas dos moradores da cidade (as menos atingidas). Houve casos de casas, construções, pontes que simplesmente foram arrancados de seus lugares como se fossem brinquedos de criança. Arvores foram quebradas e arrancadas aparentemente sem muito esforço pelas águas do rio Forqueta.

A terceira foto nos ilustra bem a força das águas. 

A quarta foto nos mostra que nem o cemitério escapou da ação da cheia. Túmulos foram arrancados do chão como se pode ver ao fundo à direita. Foi noticiado pela imprensa local e regional que haviam caixões fora dos túmulos, tornando quase impossível o trabalho de retornar posteriormente os mesmos às suas devidas sepulturas.

Enfim, uma tragédia de proporções menores mas com o mesmo impacto social  que o Haiti. E a ajuda para estas pessoas?

Veja o que disseram as reportagens do Diário Gaúcho, Gazeta do Sul, do site Região dos Vales entre outros. Reparem que a ajuda às famílias veio das cidades vizinhas. E a ajuda do Governo Federal, aquele mesmo que destinou quinze milhões de dólares para o Haiti? Políticos vieram visitar a cidade para "tomar conhecimento da extensão da tragédia" como diriam... E parece que ficou por isso mesmo... O Estado fez o que pôde através da atuação da Defesa Civil neste caso.

E então, caro leitor, chegamos ao seguinte questionamento: Será que para o Governo Federal os haitianos são mais brasileiros que os próprios basileiros? Não, a questão é puramente de exposição na mídia. O ocorrido no Haiti circulou o mundo inteiro através da mídia falada, visual e escrita. Ora, quem se envolver com isto será noticiado pelo mundo inteiro, enquanto que no Vale do Taquari somente alguns mil brasileiros e a imprensa local, talvez alguns representantes dos maiores veículos de comunicação noticiarão o feito. Me digam, onde vale mais a pena investir, sob o manto de frases como "ajuda humanitária" e outras do mesmo tipo?

Aplaudo aqui, isso sim com muito orgulho, a assistência prestada pelas autoridades e munícipes vizinhos de Marques de Souza, atitude essa devidamente comprovada pela imprensa em suas reportagens citadas anteriormente.

Este vídeo no Youtube é que me motivou a escrever sobre isso, hoje:





Bem, por hoje é só, e até a próxima, pessoal!

(O Macagnan agradece a Valmir Madke pelas fotos publicadas no site Você aí!, ao internauta Gilberto pelo vídeo disponibilizado, jornais O Estado de São Paulo, Diário Gaúcho, Gazeta do Sul, aos sites Região dos Vales,Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, UOL e Wikipedia pelos materiais que serviram de base para esta postagem)

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