quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dê-se uma oportunidade!



Há quanto tempo você não diz a seguinte frase: "- Faz muito tempo que eu não fazia isso!"?
Eu nem me lembrava mais de quão bom era escutar algumas músicas antigas, sabe aquelas que trazem paz ao coração, nos dão uma sensação boa de conforto, carinho, tudo de bom?

Diariamente somos "bombardeados" por tanta informação, tantas ordens e compromissos, tantas coisas que fazemos automaticamente ou por serem (?) necessárias. Escutamos músicas que no próximo mês já estarão esquecidas, lemos e-books e e-mails, torpedos, recados em sites de relacionamentos, refazemos o ritmo de nossas vidas ao sabor das necessidades do nosso trabalho e da sociedade. Tá certo, vocês dirão que quem não se adapta a isso não tem chance nenhuma de sobreviver na nossa sociedade. Mas, e nos momentos que temos disponíveis para nós, o que fazemos?

Deixe-me adivinhar: você lê jornal, assiste televisão, está online no MSN, grudado no Orkut, lendo seus e-mails, jogando no computador, vendo fotos que descarregou de sua máquina fotográfica digital, e por aí vai... Acertei?

Não, não sou contra toda essa tecnologia. Afinal sem essa tecnologia não estaríamos aqui. O que quero dizer é simplesmente: o que você poderia fazer agora, que lhe trouxesse prazer, ao invés de estar preso(a) nesta mesma rotina que o(a) rege durante a maior parte do tempo que você está acordado? Você tem um tempo só para você, e a questão é como você vai passá-lo (pois o tempo passa mesmo, não espera)? Ora, se é um tempo só seu, por que não usá-lo a seu favor?

Se disserem que o que você faz, pensa ou ouve é antiquado, estranho ou algo do tipo; e daí? Este é o SEU TEMPO, é o momento que o seu verdadeiro eu pede passagem para também ser satisfeito. Por exemplo, enquanto estou escrevendo isso, escuto músicas de vinte, trinta, quarenta anos atrás. Velhas, não? E daí, este é o meu momento e estou me sentindo assim, estou em contato comigo. Essa é a chave! Onde está você de verdade?

Lembro-me uma vez de ter ouvido um trecho de uma palestra de uma pessoa chamada Roberto Shinyashiki, onde relatava as experiências que teve com pessoas internadas em estado terminal em um hospital. A lição mais profunda que ele levou desta experiência e que ele faz questão de nos lembrar a palestra inteira é de que a vida não é eterna e que nos envolvemos tanto com coisas que nos parecem absolutamente importantes que pouco a pouco vamos nos esquecendo dos detalhes que "temperam" nossa vida. Ele cita casos de pessoas à beira da morte que lamentam profundamente ter acumulado riquezas e jamais tido a humildade de, por exemplo, pedir desculpas aos próprios filhos quando errou. Outras pessoas lamentam as oportunidades que perderam de fazer seus entes queridos felizes, mesmo que fosse com um simples "- Eu amo você". Essas pessoas perderam o contato com elas mesmas e se deixaram levar pelo ritmo turbulento da sociedade.

Muitas vezes para reencontrar a si mesmo não se precisa muito! Uma música que nos faz parar e nos traz agradáveis lembranças, um livro que relemos após muito tempo esquecido em algum lugar na nossa casa, alguns minutos que paramos para simplesmente observar as pessoas que nos cercam. Cinco minutos de conversa com aquela pessoa que mal e mal cumprimentamos pode ser uma descoberta agradável, assim como aquele projeto só seu que você ia desenvolvendo aos finais de semana e está parado há tempos (por falta de tempo, né?).

Há quanto tempo você não conversa com seu (sua) companheiro(a) sobre outra coisa além dos fatos cotidianos? Quanto tempo faz que você não agradece a esta pessoa pelo fato de estar ao seu lado esse tempo todo? Quanto tempo faz que você não diz a seus filhos que os ama, que não passa algumas horas com eles, não os convida para conhecer um pouco do que você gosta de fazer e do que ele gostam? Podem parecer bobagens ou algo difícil de se fazer, no início. Mas aos poucos você verá que esses atos vão adquirindo outro "sabor". Vai ver quanto é gratificante ver o brilho de felicidade nos olhos de outra pessoa por algo que nos dispusemos a fazer e que estava o tempo todo ao nosso alcance. Esse foi um dos pontos que me marcou nesta palestra de Roberto Shinyashiki.

Encerro este com uma foto encontrada no site Tio Choquito.

Um abraço do Macagnan e até o próximo!

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